Brasil

Violência no Rio: uso de ônibus como barricada pelos criminosos cresce 113%

Cerca de 254 veículos foram retidos por bandidos em 2025; prática interrompe o transporte público e expõe passageiros ao risco.

2 min

19/03/2026 19:37 • Atualizado há 219 dias

Violência no Rio: uso de ônibus como barricada pelos criminosos cresce 113%

A rotina de quem depende do transporte público no Rio de Janeiro é marcada pela incerteza e pela insegurança. O uso de ônibus como barricadas por criminosos tornou-se uma prática comum em diversas regiões da cidade, impedindo o direito de ir e vir da população.

Continua depois da publicidade

No ano passado, o número de veículos utilizados para bloquear vias em comunidades e avenidas mais que dobrou. Dados da Rio Ônibus, o sindicato das empresas de transporte, mostram que 254 ônibus foram usados como barricadas em 2025, contra 119 registros em 2024.

A tendência de alta permanece no início de 2026. Somente nos primeiros meses deste ano, as autoridades já contabilizaram 39 casos dessa natureza. O impacto é direto na operação das linhas e na segurança de quem está a caminho do trabalho ou de casa.

Prejuízo financeiro e impacto social

Além do risco físico aos passageiros e motoristas, o vandalismo gera um alto custo para o sistema de transporte. Quando um ônibus é incendiado por criminosos, o prejuízo financeiro para as empresas pode chegar a R$ 1 milhão por veículo.

Continua depois da publicidade

O problema se estende ao tempo de reposição da frota. Uma empresa leva, em média, até seis meses para conseguir colocar um novo coletivo em circulação após um ato de vandalismo. Esse intervalo reduz a oferta de transporte nas ruas, prejudicando o atendimento ao cidadão.

"Moro em comunidade e sei como é complicado. O trabalhador sofre cada dia mais e a gente queria melhorias", relata a auxiliar de cozinha Daniele da Silva, que vivencia as interrupções frequentes no serviço.

Protocolo de segurança entre PM e empresas

Para tentar minimizar os danos, a Polícia Militar e o sindicato das empresas estabeleceram um protocolo de comunicação desde setembro. A PM informa diariamente sobre operações em andamento para que as empresas possam desviar as rotas dos coletivos com antecedência.

Continua depois da publicidade

No entanto, a medida não tem sido suficiente para estancar a prática. Em uma operação recente do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), ônibus voltaram a ser retidos e um deles foi incendiado pelos criminosos.

Segundo Paulo Valente, diretor da Rio Ônibus, a cooperação entre as instituições existe, mas esbarra na imprevisibilidade do crime organizado. "É fácil a polícia combinar com as empresas e vice-versa. Por que continua acontecendo? Falta combinar com os bandidos", avalia.

Tópicos relacionados

Violência no Rio: uso de ônibus como barricada pelos criminosos cresce 113%