Jornal da Noite

Alemanha promete revisar leis após atentado na parada LGBT+ de Berlim

Governo estuda detenção preventiva e monitoramento de suspeitos após autor do ataque cumprir só seis meses de prisão por ligação com o Estado Islâmico

Da redação
DA REDAÇÃO

28/07/2026 • 00:26 • Atualizado em 28/07/2026 • 00:36

O governo da Alemanha prometeu revisar as leis do país após o atropelamento que deixou uma pessoa morta e ao menos 15 feridos durante a Parada do Orgulho LGBTQIA+, no sábado (25), em Berlim. As autoridades tratam o caso como um ato terrorista. O motorista foi morto no domingo (26), após uma caçada policial de quase 24 horas.

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O autor era um cidadão alemão de 21 anos, de origem libanesa. Abdul Ballout chegou a ser preso no Líbano no ano passado, acusado de tentar se juntar a combatentes do Estado Islâmico. Ele foi condenado por um tribunal alemão a quase dois anos de prisão, mas ficou apenas seis meses detido por causa da lei mais branda aplicada a criminosos jovens.

Foi justamente esse ponto que motivou a reação do governo. Nascido e criado em Berlim, Ballout foi julgado sob a legislação penal juvenil, apesar da idade, e estava em liberdade sob supervisão de um agente de condicional no momento do ataque.

Para o ministro do Interior, Alexander Dobrindt, aplicar a lei penal juvenil a adultos considerados ameaça à segurança é "inaceitável".

Dobrindt afirmou que pretende mudar essa regra e adotar medidas que permitam às autoridades usar tornozeleiras eletrônicas em pessoas perigosas. Novos poderes para determinar detenções preventivas também retirariam "indivíduos perigosos das ruas", disse o ministro.

Ele defendeu ainda que os serviços de segurança tenham mais capacidade de rastrear suspeitos e questionou por que as autoridades alemãs não conseguem localizar, a qualquer momento, pessoas classificadas como ameaça.

O caso reacendeu o debate sobre a atuação da Justiça. A promotoria de Berlim havia recorrido da sentença por considerá-la branda.

Antes do atentado, Ballout tinha sido condenado por preparar um ato grave de violência contra o Estado e por publicar propaganda do Estado Islâmico nas redes sociais, e fora encaminhado a um programa de desradicalização voltado a infratores de alto risco.

O ataque ocorreu na noite de sábado, quando uma van avançou sobre a multidão no parque Tiergarten, no centro de Berlim, perto do Portão de Brandemburgo. O agressor continuou a ação a pé e feriu pessoas com uma arma branca. Uma mulher morreu e dezenas ficaram feridas, várias em estado grave.

No dia seguinte, ele foi localizado em um complexo de hortas comunitárias no distrito de Spandau e morto a tiros ao avançar contra os policiais com uma faca.

A Alemanha registrou nos últimos anos uma sequência de atropelamentos em massa que reacenderam o debate sobre imigração e segurança no país, episódios frequentemente explorados por partidos de extrema-direita.