A Universidade de São Paulo amanheceu praticamente vazia nesta segunda-feira com 130 cursos paralisados, entre eles Medicina, Direito, Engenharias e Veterinária. A greve dos estudantes completa 12 dias e já atinge todas as 43 escolas, faculdades e institutos da universidade, com mobilizações tanto na capital quanto no interior.
As reivindicações se concentram em quatro frentes: questões orçamentárias, autonomia dos espaços estudantis, ampliação das políticas de cotas e melhorias nos bandejões e moradias estudantis. Os alunos também pedem aumento do valor do PAPFE, Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil, atualmente em R$ 850, e ampliação do número de beneficiados. Hoje, apenas 15 mil dos cerca de 97 mil estudantes da universidade recebem o apoio.
Um vídeo divulgado por estudantes mostra o que seriam larvas encontradas em um prato no restaurante do curso de Direito. A USP afirma que a Vigilância Sanitária realizou uma visita ao restaurante e considerou as condições satisfatórias.
O movimento começou depois que os funcionários da universidade entraram em greve no dia 15 de abril em busca de aumento de salários. Os servidores chegaram a acordo com a reitoria na semana passada e já retomaram as atividades. Os estudantes esperam o mesmo caminho e se reunirão com a administração da universidade amanhã.
Outras universidades do país também enfrentam greve de servidores, o que não paralisa as aulas, mas prejudica atividades como emissão de documentos e funcionamento de bibliotecas. Funcionários de mais de 50 instituições federais, como UFRGS, UFRJ, UFBA e UFMG, estão em greve desde fevereiro. Eles pedem o cumprimento do acordo firmado na última greve, em 2024, e a reestruturação da carreira. O Ministério da Educação afirmou ter atendido boa parte das demandas e diz manter diálogo permanente com representantes das categorias. Na Uerj, de administração estadual, uma paralisação de professores e técnicos completa 30 dias sem previsão de acordo.
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