A dívida pública no Brasil cresce e preocupa. Em junho, segundo o Banco Central, ela subiu para 81,9% do PIB, alcançando R$ 10,8 trilhões — o maior nível desde 2021, ano da pandemia.
É um patamar bem acima da média dos países emergentes, e que vem avançando rapidamente: foram dez pontos percentuais nos últimos anos. A projeção é fechar 2026 ainda mais alta, em 83%, chegar a 87% no ano que vem e alcançar 100% em pouco tempo.
Esse é um termômetro de risco, um indicador da saúde financeira do país que vem dificultando o crescimento econômico. A baixa credibilidade da regra de equilíbrio das contas faz com que cada vez mais financiadores da dívida cobrem juros maiores.
O Tesouro chegou a adiar leilões de oferta de títulos diante de juros pedidos 8% acima da inflação. E esse juro se reflete nas taxas de crédito que os bancos cobram, num cenário que vai reduzindo a capacidade de o país crescer.
O ministro da Fazenda vem prometendo apertar a regra fiscal para limitar gastos, mas transformar isso em realidade exige medidas duras: desvincular o salário mínimo do pagamento das aposentadorias e desvincular o aumento de receitas do reajuste automático em saúde e educação.
Há ainda as emendas parlamentares, que viraram uma aberração, e os penduricalhos do Judiciário, que autorizam salários incompatíveis com a realidade brasileira.
Estamos gastando muito e gastando mal. O Brasil precisa de um pacto político pelo futuro.
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