Maduro propõe diálogo com Donald Trump sobre narcotráfico e petróleo
Ditador venezuelano afirma estar pronto para negociações sérias e convida investimentos americanos no setor de energia em meio a bloqueios navais

O ditador Nicolás Maduro sinalizou uma tentativa de reaproximação diplomática com os Estados Unidos em entrevista gravada na véspera de Ano Novo e exibida pela TV estatal venezuelana. Durante a conversa, realizada enquanto dirigia sua caminhonete, Maduro afirmou estar disposto a estabelecer um diálogo direto com o governo de Donald Trump, especialmente em temas sensíveis como o combate ao narcotráfico. Segundo o líder venezuelano, o país está pronto para conversar "seriamente, com os fatos nas mãos", buscando um acordo formal de cooperação.
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Maduro relembrou que manteve apenas um contato telefônico com Donald Trump, descrevendo a conversa de dez minutos como "respeitosa". No entanto, o ditador criticou duramente as ações militares e sanções impostas por Washington após esse contato. O foco das queixas recai sobre os ataques americanos contra embarcações perto da costa venezuelana e no Oceano Pacífico, que, segundo o governo venezuelano, já somam mais de 30 incidentes.
Tensões navais e o bloqueio petroleiro
A relação entre os dois países atingiu um ponto crítico com a intensificação das operações navais dos Estados Unidos contra barcos supostamente ligados ao tráfico de drogas. De acordo com os dados apresentados, os ataques resultaram na morte de 110 pessoas. Maduro ressaltou que as autoridades americanas nunca apresentaram provas concretas de que as embarcações atingidas tivessem ligação com o narcotráfico.
Além das operações militares, o setor econômico enfrenta o endurecimento das sanções. Em dezembro, o governo Trump iniciou um bloqueio contra petroleiros venezuelanos sancionados, resultando na apreensão de três navios. A medida visa asfixiar a principal fonte de receita da gestão de Maduro, que agora tenta reverter o cenário oferecendo aberturas comerciais.
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Oferta de investimento e soberania
Em uma sinalização direta ao mercado econômico americano, Maduro condicionou a retomada do fornecimento de energia ao fim das hostilidades. "Se quiserem petróleo venezuelano, a Venezuela está pronta para aceitar investimentos como os da Chevron quando, onde e como eles quiserem", declarou o ditador. A menção à gigante do petróleo sugere um modelo de parceria que Maduro estaria disposto a replicar para atrair capital estrangeiro.
Ao encerrar a entrevista, o líder venezuelano buscou um tom conciliador, afirmando que os americanos devem ver os venezuelanos como um "povo irmão". Ele reforçou a sinalização de que a Venezuela pretende ser vista como um "governo amigo", apesar das sanções vigentes e do histórico de confrontos diplomáticos. Até o momento, a Casa Branca não emitiu uma resposta oficial às declarações de Maduro.
