Uma pesquisa desenvolvida no laboratório da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal do Pará (UFPA) investiga como os compostos naturais do açaí podem proteger o sistema nervoso e ajudar no combate a transtornos como ansiedade e depressão.
Conhecido nacionalmente pelo sabor e pela energia que proporciona, o fruto típico da região amazônica revela agora propriedades que vão além da nutrição tradicional.
Os compostos bioativos e a parceria internacional
O estudo utiliza um suco de açaí clarificado, desenvolvido especificamente para isolar os compostos fenólicos da fruta, com destaque para as antocianinas, responsáveis pela coloração roxa caracterizástica. Esses componentes apresentam forte ação antioxidante e anti-inflamatória, capazes de proteger as células cerebrais contra danos provocados pelo estresse oxidativo.
Segundo a professora e pesquisadora Cristiane do Socorro Ferraz Maia, o projeto formulou a hipótese de que o açaí poderia apresentar um efeito ansiolítico e antidepressivo, validado nesta etapa inicial por meio de testes comportamentais. Para aprofundar as análises, o trabalho conta com uma parceria internacional com a Universidade de Coimbra, buscando compreender detalhadamente como o alimento modula as sinapses e atua no sistema nervoso central.
Próximos passos e cautela médica
A próxima fase da investigação científica consistirá na indução de modelos de dano em animais para mensurar a eficácia da proteção neural conferida pelos compostos do fruto. O professor Fábio Coelho destaca que, apesar do potencial biológico promissor, o consumo do açaí in natura ou de seus derivados ainda não substitui os tratamentos e medicamentos convencionais prescritos por especialistas.
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