Jornal da Noite

Schüler: erros recentes de Flávio jogam a favor da campanha de Lula

Menção às urnas e a passagem de Milei pelo Brasil trouxeram ao centro do debate temas que favorecem o campo governista

Por Redação
REDAÇÃO

29/07/2026 • 01:16 • Atualizado em 29/07/2026 • 01:31

Fernando Schüler

Numa campanha, poucas regras são tão elementares quanto não fazer o que o adversário deseja. Nas últimas semanas, a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) fez exatamente isso: acumulou tropeços que acabaram entregando à campanha governista as pautas que ela mais queria ver no centro da disputa.

Compartilhar

O ponto de partida é o desequilíbrio da corrida. Como incumbente, Lula larga com vantagem clara e histórica. Dispõe da máquina federal, de maior visibilidade, do orçamento e da dívida pública, além do repertório de medidas populistas que marca o Brasil da redemocratização.

Sobre esse terreno já inclinado, um conjunto de temas sensíveis que envolve Donald Trump, interferência internacional, urnas eletrônicas e a retórica da soberania nacional tende a beneficiar o campo do governo. São justamente esses os assuntos que a oposição ajudou a trazer de volta.

O primeiro deslize foi reabrir a discussão sobre as urnas eletrônicas, tema tóxico que já havia sido um dos responsáveis pela derrota de Jair Bolsonaro em 2022 e que voltou ao centro do debate por iniciativa do próprio campo bolsonarista.

O segundo foi a passagem desastrada de Javier Milei pelo Brasil, cujo problema não esteve nas críticas em si, nem na presença de uma figura internacional, mas na forma como o argentino se referiu a um ministro do STF.

Fora o mérito da crítica, foi o tom que pegou mal para boa parte do eleitorado. E é esse eleitorado que a candidatura tem a perder. Há uma parcela expressiva de eleitores cansada da polarização extrema: gente que tem posição, que por vezes discorda do STF, mas que rejeita o radicalismo hoje associado ao campo de oposição.

Fora o mérito da crítica, foi o tom que pegou mal para boa parte do eleitorado. E é esse eleitorado que a candidatura tem a perder. Há uma parcela expressiva de eleitores cansada da polarização extrema: gente que tem posição, que por vezes discorda do STF, mas que rejeita o radicalismo hoje associado ao campo de oposição.

Cada episódio nessa chave afasta Flávio Bolsonaro do projeto que ele próprio traçou desde o início, o de se apresentar como uma alternativa moderada e afeita ao diálogo, capaz de atrair o chamado "eleitor independente".

O saldo é adverso. Urnas, soberania, ruídos com os Estados Unidos e com Milei: nenhuma dessas frentes trabalha a favor de Flávio Bolsonaro, e todas, somadas, empurram a campanha para o terreno onde o adversário quer disputá-la.

Fique bem informado!

Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail

Escolha quais newsletters quer receber