Jornal da Noite

Schüler: suspensão de pesquisa Atlas pela Justiça é intervenção indevida

Analista avalia que Justiça Eleitoral não tem papel de fazer "pente fino" na metodologia de institutos e alerta para repetição do intervencionismo de 2022

Por Redação
REDAÇÃO

09/06/2026 • 00:59 • Atualizado em 09/06/2026 • 00:59

Fernando Schüler

A suspensão de uma pesquisa do Instituto Atlas/Intel pelo ministro Nunes Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foi classificada pelo cientista político Fernando Schüler como uma intervenção demasiada e indevida, que pode prefaciar um ativismo exagerado da Justiça Eleitoral nas eleições de 2026.

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O levantamento suspenso havia medido o impacto dos áudios entre Flávio Bolsonaro (PL) e o empresário Daniel Vorcaro – diálogos que, segundo Schüler, são reais e cuja repercussão era, portanto, objeto legítimo de pesquisa. Os resultados apontavam leve crescimento do presidente Lula e queda de Flávio Bolsonaro no período.

Schüler reconheceu que se poderia cobrar um pouco mais de cuidado metodológico do instituto, já que qualquer pergunta sobre um candidato pode ter efeito indutor, mas avaliou que esse argumento não basta para justificar a intervenção judicial.

De acordo com ele, o vídeo com os áudios de Vorcaro e Flávio foi apresentado ao entrevistado apenas após o preenchimento e o envio eletrônico do questionário, o que enfraquece ainda mais a alegação de indução.

Para o analista, o papel da Justiça Eleitoral se limita a aceitar o registro da pesquisa, verificar a assinatura do estatístico responsável e avaliar se a metodologia é tecnicamente adequada. "A liberdade para perguntar, para questionar, obter as informações que deseja obter, o instituto deve ter", afirmou.

O analista também situou a decisão num contexto mais amplo: o Brasil já teria vivido um episódio de ativismo excessivo da Justiça Eleitoral nas eleições de 2022, e repetir essa dose em 2026 seria um retrocesso.

Na avaliação de Schüler, a suspensão da pesquisa Atlas é um sinal de alerta de que esse caminho pode estar sendo retomado com a chegada de Nunes Marques ao TSE.

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