
Lipedema
Divulgação/Movimento Lipedema
Junho é o Mês de Conscientização sobre o Lipedema, uma condição ainda pouco conhecida, mas que impacta profundamente a qualidade de vida de milhões de mulheres. Cerca de 11% da população feminina mundial pode ser afetada por essa doença crônica e progressiva, marcada por acúmulo anormal de gordura subcutânea, especialmente nas pernas, quadris e, em alguns casos, nos braços.
Conforme dados do Google Trends, as buscas pela doença aumentaram significativamente nos últimos 5 anos. Em comparação com 2023, a procura dos brasileiros mais que dobrou só no primeiro semestre de 2025.
Veja o gráfico na íntegra aqui:

Buscas por lipedema nos últimos anos Gráfico: Sala Digital Band e Google Fonte: Google Trends
O que é lipedema?
De acordo com a ONG Movimento Lipedema, trata-se de uma doença vascular linfática, cuja principal característica é a deposição simétrica de gordura em glúteos e pernas, geralmente acompanhada de inflamação crônica de baixo grau. Além do aumento de volume, os pacientes podem relatar dor ao toque, sensibilidade aumentada e sensação constante de inchaço, especialmente ao final do dia.
Descrito pela primeira vez em 1940 na Mayo Clinic, o lipedema tem um componente fibrótico, ou seja, envolve endurecimento dos tecidos devido à inflamação contínua e ao excesso de colágeno. Ele não deve ser confundido com linfedema, lipomas ou até mesmo com a obesidade. Essa confusão terminológica, inclusive, é uma das razões pelas quais o diagnóstico costuma ser tardio ou equivocado.
Como saber se tenho lipedema?
Não existe um exame único e definitivo para diagnosticar o lipedema. O diagnóstico é essencialmente clínico, feito por médicos com experiência na área, e leva em conta os sintomas, histórico familiar e exame físico. Um sinal importante é a ausência de “edema depressível” — o inchaço que forma uma concavidade na pele ao ser pressionado. No lipedema, esse tipo de inchaço não está presente.
Os sinais mais comuns são:
- Acúmulo de gordura desproporcional nas pernas e quadris
- Dores e sensibilidade ao toque
- Sensação de peso ou cansaço nas pernas
- Inchaço que piora ao longo do dia
- Ausência de resposta a dietas ou exercícios convencionais
O que causa lipedema?
As causas exatas ainda são desconhecidas, mas especialistas apontam fatores hormonais e genéticos como os mais relevantes. O lipedema geralmente aparece ou piora em momentos de grandes variações hormonais, como puberdade, gravidez ou menopausa. Estudos recentes também indicam respostas inflamatórias persistentes como parte do mecanismo da doença.
Como tratar o lipedema?
Apesar de não ter cura, o lipedema pode ser tratado. Juliana Tenorio, cirurgiã plástica referência mundial no tratamento do Lipedema, explica que o tratamento mais eficaz, especialmente em casos avançados, é a cirurgia plástica especializada, voltada para a retirada do tecido adiposo inflamado.
No entanto, há também tratamentos clínicos importantes, que devem ser mantidos mesmo após a cirurgia. Entre as estratégias estão:
Uso de ativos manipulados, que auxiliam no combate ao estresse oxidativo e à inflamação.
- Alimentação anti-inflamatória
- Drenagem linfática manual
- Uso de roupas compressivas
- Prática regular de atividade física de baixo impacto
“Cada caso exige uma abordagem específica, e combinar diferentes estratégias pode fazer toda a diferença nos resultados”, destaca Juliana.
Qual médico trata o lipedema?
O primeiro passo é procurar um médico com conhecimento específico em lipedema, que pode ser um angiologista, cirurgião vascular ou um cirurgião plástico. O ideal é contar com uma equipe multidisciplinar, incluindo fisioterapeutas, nutricionistas e psicólogos, já que a doença afeta não apenas o corpo, mas também a autoestima e a saúde emocional da paciente.
Junho roxo
O Movimento Lipedema estima que 5 milhões de brasileiras apresentem os sintomas, mas alerta que a falta de informação ainda é um dos maiores obstáculos no enfrentamento do lipedema. Muitas mulheres convivem com dor, vergonha e frustração, acreditando que sofrem apenas com “gordura localizada” ou “retenção de líquido”. Neste Junho Roxo — cor que simboliza a conscientização sobre o tema — especialistas, entidades e pacientes reforçam a importância de romper o silêncio, buscar ajuda especializada e divulgar informações corretas.
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