
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva na ONU
REUTERS/Mike Segar
Durante seu discurso na Assembleia-Geral da ONU, nesta terça-feira (23), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou as intervenções externas sobre processos do poder Judiciário brasileiro e afirmou que há colaboração de “falsos patriotas, que arquitetam e promovem publicamente ações contra o Brasil”.
O presidente fez alusão às tarifas econômicas impostas pelos Estados Unidos sobre os produtos brasileiros criticou interposição dos norte-americanos nos processos internos do país, afirmando que “a agressão contra a independência do poder Judiciário é inaceitável”.
“Não há justificativas para medidas unilaterais e arbitrárias contra as nossas instituições e nossa economia. A agressão contra a independência do poder Judiciário é inaceitável. Essa ingerência em assuntos internos conta com o auxílio de uma extrema-direita subserviente e saudosa de antigas hegemonias. Falsos patriotas, arquitetam e promovem publicamente ações contra o Brasil”, disse o presidente.
Lula abriu a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, mantendo a tradição de o Brasil ser o primeiro país a discursar no encontro anual.
Será a primeira vez que Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estarão no mesmo ambiente desde o anúncio do tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros, e a expectativa é de que ambos abordem, em sequência, temas centrais para a política internacional.
Entre os pontos que devem nortear a fala do presidente brasileiro estão a defesa do fortalecimento da democracia, o respeito à soberania nacional e a importância do multilateralismo em um cenário global de tensões crescentes.
'Quando a sociedade vacila na defesa da paz a consequência é trágica'
Lula também afirmou que quando a sociedade vacila na defesa da paz a consequência é trágica.
“Quando a sociedade internacional vacila na defesa da paz, da soberania e do direito, as consequências são trágicas”, declarou Lula em discurso na Assembleia Geral da ONU. “Em todo o mundo, forças antidemocráticas tentam subjugar as instituições e sufocar as liberdades”.
“O multilateralismo está diante de nova encruzilhada, a autoridade desta organização está em cheque. Assistimos à consolidação da desordem internacional marcada por seguidas concessões a políticas do poder”, destacou Lula.
'Democracia falha quando mulheres ganham menos que homens'
“A democracia falha quando mulheres ganham menos que homens”, disse. “Democracias sólidas vão além do ritual eleitoral. Seu vigor pressupõe a redução das desigualdades e a garantia dos direitos mais elementares: a alimentação, a segurança, o trabalho, a moradia, a educação e a saúde”.
“A democracia falha quando as mulheres ganham menos que os homens ou morrem pelas mãos de parceiros e familiares”.
“Ela perde quando fecha suas portas e culpa migrantes pelas mazelas do mundo. A pobreza é tão inimiga da democracia quanto o extremismo”, afirmou.
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