
Presidente Lula durante coletiva na ONU
REUTERS/Bing Guan
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ter ficado satisfeito com a breve e inesperada conversa que teve com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York.
Em uma entrevista coletiva com jornalistas de todo o mundo, Lula detalhou que o encontro, que parecia improvável, agora se torna uma possibilidade concreta para o futuro.
O presidente brasileiro não escondeu a surpresa com a atitude do líder americano na tribuna da ONU. "Eu fui surpreendido porque eu tinha acabado o meu discurso, estava saindo, ia pegar as papeletas quando o Trump veio para o meu lado. Uma cara simpática, agradável, e eu acho que pintou uma química mesmo", relata Lula. Para o presidente, o episódio foi uma "surpresa boa" e o diálogo deve continuar.
Reunião com Trump
Embora não tenha definido uma data para uma futura reunião com Trump, Lula sinaliza que o encontro pode servir para que o americano reveja as tarifas comerciais impostas ao Brasil e as sanções aplicadas contra autoridades brasileiras. O presidente acredita que o líder dos EUA pode mudar de postura se receber as informações corretas. "Eu acho que ele está mal informado em relação ao Brasil e possivelmente isso tenha levado ele a tomar algumas decisões que não são aceitáveis na relação de dois países que têm relação diplomática há duzentos anos", avalia.
Questionado sobre a possibilidade de enfrentar constrangimentos, como os ocorridos com os presidentes da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e da África do Sul, Cyril Ramaphosa, que foram tratados de forma ríspida por Trump na Casa Branca, Lula se mostra confiante. "São dois homens de 80 anos, não há por que ter brincadeira numa relação de dois homens de 80 anos. Vamos conversar como dois seres humanos civilizados", diz. "Eu vou tratar com o respeito que merece o presidente dos Estados Unidos e ele certamente vai me tratar com o respeito que merece o presidente da República Federativa do Brasil."
Agenda de Lula na ONU
Durante a entrevista, o presidente deixou em aberto a possibilidade de voltar aos Estados Unidos para um encontro presencial em Washington. Lula confirma que, entre os temas que podem ser discutidos em uma futura agenda bilateral, está a possibilidade de acesso americano a minerais críticos brasileiros. No entanto, ele ressalta que não abrirá espaço para debater a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado.
A agenda do presidente em Nova York foi extensa. No início do dia, ele participou de um debate sobre a defesa da democracia ao lado de líderes de esquerda da América do Sul e do primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez. À tarde, discursou em uma plenária sobre a importância da preservação do meio ambiente.
Lula também teve uma reunião bilateral com Volodymyr Zelensky. No encontro, o presidente ucraniano se disse pronto para um diálogo com o presidente russo, Vladimir Putin, mas pontuou que o adversário não demonstra interesse real em um cessar-fogo. Ao final da conversa, Zelensky convidou oficialmente o presidente brasileiro para uma visita à Ucrânia.
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