Maioria desaprova decisão de Moraes que impediu Flávio de visitar Bolsonaro
Levantamento indica apoio à prisão domiciliar e à proibição de uso de redes sociais pelo ex-presidente

A maioria dos brasileiros considera errada a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes que proibiu o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), por 90 dias, mostra pesquisa Datafolha feita em 22 e 23 de julho.
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Segundo o levantamento, 59% dos entrevistados afirmam que Moraes agiu de forma equivocada ao impor a restrição ao ex-presidente. Outros 36% avaliam que a medida foi correta, 2% dizem que a decisão não foi nem positiva nem negativa e 4% não souberam responder.
A determinação foi assinada neste mês, após um evento em 11 de julho em que Flávio leu publicamente uma carta escrita por Jair Bolsonaro e informou que o texto seria divulgado nas redes sociais. No documento, o ex-presidente chamava o filho de seu "porta-voz" e o apresentava como o nome escolhido para representá-lo politicamente.
Para Moraes, o episódio configurou descumprimento das medidas cautelares impostas a Bolsonaro, ao usar terceiros como forma indireta de divulgação pública de suas manifestações. Além de vetar as visitas de Flávio por 90 dias, o ministro suspendeu por 30 dias as visitas de outros familiares, proibiu contatos com finalidade político-eleitoral até o fim das eleições e a divulgação de manifestos atribuídos ao ex-presidente.
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Prisão domiciliar de Bolsonaro
Condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro deixou o sistema prisional em março, após autorização de Moraes para cumprir a pena em casa, em razão de seu estado de saúde. A decisão manteve cautelares como a proibição de utilizar telefone celular, acessar a internet ou usar redes sociais, inclusive por intermédio de terceiros.
O Datafolha apurou que 59% dos entrevistados defendem que Bolsonaro continue em prisão domiciliar. Outros 35% são contrários à manutenção do regime em casa e 6% não responderam.
Veto às redes sociais
Com relação especificamente às plataformas digitais, 62% dos entrevistados concordam que o ex-presidente não deve utilizar redes sociais enquanto estiver em prisão domiciliar. Outros 35% entendem que ele deveria ter acesso às plataformas, e 3% não souberam responder.
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Como votam e o que pensam
O instituto também examinou a percepção conforme o voto no segundo turno da eleição presidencial de 2022. Entre quem declarou ter votado no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 35% consideram que Moraes errou ao impedir as visitas de Flávio Bolsonaro.
Já entre os entrevistados que afirmaram ter votado em Jair Bolsonaro em 2022, 32% avaliam que o ex-presidente não deveria ter autorização para utilizar redes sociais durante o cumprimento da prisão domiciliar.
A pesquisa ouviu presencialmente 2.004 eleitores com 16 anos ou mais em 139 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos porcentuais, para mais ou para menos, e o levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-01166/2026.
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Defesa e senador contestam decisão
A defesa de Jair Bolsonaro recorreu da decisão e sustenta que as novas restrições extrapolam os efeitos da condenação, alcançando direitos ligados à liberdade de manifestação. Os advogados afirmam que as vedações interferem no debate político e no processo eleitoral.
Flávio Bolsonaro também criticou a medida do ministro do STF. O senador classificou a decisão como "ilegal, desproporcional, covarde e cruel" e disse que ela representa, na sua visão, uma tentativa de interferência na disputa eleitoral.
Com informações do Estadão Conteúdo.
