
DIU
Divulgação/Ministério da Saúde
A busca por métodos contraceptivos e por informações sobre sexo na adolescência tem crescido na internet brasileira. Nos últimos 12 meses, o Google registrou aumento no interesse por contraceptivos de longa duração, como o implante anticoncepcional, que teve crescimento de 49,4% nas buscas, e o implante subdérmico, com alta de 32,2%. Já os métodos tradicionais, como a pílula anticoncepcional e a pílula do dia seguinte, registraram queda.
Esse movimento mostra que a conversa sobre saúde sexual está cada vez mais diversificada — e mais precoce. De acordo com o IBGE, cerca de 27% dos adolescentes entre 13 e 17 anos já tiveram relação sexual. Por isso, entender quais métodos existem e quais são as dúvidas mais comuns entre os jovens é fundamental para garantir informação e segurança.
Quais são os métodos contraceptivos mais buscados?
Segundo dados da Sala Digital, parceria da Band com o Google, o ranking de interesse nos últimos 12 meses é liderado pela pílula anticoncepcional, que ainda é o método mais procurado, embora tenha tido uma queda de quase 20% nas buscas. Na sequência aparecem o preservativo masculino (com crescimento de 9,7%), a pílula do dia seguinte e procedimentos como laqueadura e vasectomia.
Veja alguns destaques:
- Implante anticoncepcional: +49,4%
- Anel vaginal: +18,4%
- Adesivo transdérmico: +28,5%
- Anticoncepcional injetável: -30%
- DIU de cobre: -17,3%
Essa mudança no padrão de interesse pode estar ligada à maior divulgação de métodos de longa duração, que não exigem o uso diário ou em toda relação sexual. É o caso do DIU, que pode durar de 5 a 10 anos, e do implante, que tem eficácia de até 3 anos.
Adolescente pode usar anticoncepcional? E colocar DIU?
Essas são algumas das perguntas mais feitas pelos brasileiros no Google no último ano:
- Adolescente pode tomar anticoncepcional?
- Com quantos anos pode colocar DIU?
- Com quantos anos pode fazer laqueadura ou vasectomia?
Segundo o Ministério da Saúde, adolescentes podem sim fazer uso de métodos contraceptivos, incluindo pílulas, preservativos e até o DIU — desde que haja acompanhamento médico. A recomendação é sempre procurar um ginecologista ou profissional de saúde para entender qual método é mais indicado para cada caso.
Já procedimentos definitivos, como laqueadura e vasectomia, só são permitidos por lei a partir dos 25 anos ou com pelo menos dois filhos vivos. Ou seja: não são indicados para adolescentes.
Educação sexual ainda é tabu — e a internet virou a principal fonte de informação
Mesmo com a importância do tema, a educação sexual nas escolas ainda enfrenta resistência em muitas regiões do Brasil. Com isso, adolescentes recorrem à internet para tirar dúvidas sobre corpo, higiene e relações. Perguntas como “adolescente pode usar absorvente interno?” e “adolescente pode tomar tadalafila?” (medicamento para disfunção erétil) apareceram entre as mais feitas nos últimos 12 meses.
Para especialistas, isso é um sinal de alerta: quando não há informação clara e responsável, os jovens correm o risco de tomar decisões com base em mitos ou desinformações.
O que dizem os especialistas?
Segundo a OMS, a gravidez na adolescência ainda é um problema de saúde pública em muitos países da América Latina. No Brasil, apesar da queda nos índices nas últimas décadas, o tema ainda exige atenção: dados de 2021 do Ministério da Saúde mostram que mais de 300 mil bebês foram registrados como filhos de mães com até 19 anos.
Como orientar adolescentes sobre sexualidade?
A orientação deve ser clara, respeitosa e sem julgamentos. É importante:
- Falar sobre consentimento e relações saudáveis
- Explicar os riscos de ISTs e a importância do preservativo
- Apresentar os diferentes métodos contraceptivos e como funcionam
- Incentivar consultas regulares com profissionais de saúde
O Google pode ser um aliado, desde que a informação venha de fontes confiáveis. Por isso, sempre vale checar dados em portais como o Ministério da Saúde, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e instituições como o INCA.
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