
Ucrânia
REUTERS/Alexander Ermochenko
O conflito na Ucrânia viveu um sábado (20) de contrastes violentos e movimentos diplomáticos intensos. Um ataque de mísseis russos à cidade portuária de Odessa, no sul da Ucrânia, deixou pelo menos oito mortos e 27 feridos, segundo o serviço de emergência do país. O bombardeio ocorreu simultaneamente ao desembarque de autoridades russas nos Estados Unidos para uma rodada de conversas com aliados do presidente eleito Donald Trump.
O impacto em Odessa
O governador da região, Oleh Kiper, informou que o porto de Odessa foi o alvo principal de mísseis balísticos russos. No entanto, a destruição transbordou para áreas civis:
Alguns dos feridos estavam em um ônibus no centro da cidade no momento das explosões. Caminhões em estacionamentos foram consumidos pelo fogo e diversos carros de passeio foram destruídos.
O Ministério da Defesa da Rússia, sem citar especificamente as mortes em Odessa, afirmou ter atacado alvos de infraestrutura de transporte, armazenamento e energia que sustentam o esforço militar de Kiev. Por outro lado, o Estado-Maior ucraniano reportou contra-ataques com drones que atingiram uma plataforma de petróleo russa e o navio de patrulha Okhotnik.
Negociações na Flórida: O "Fator Trump"
Enquanto o fumo subia em Odessa, o cenário em Miami era de articulação política. Kirill Dmitriev, chefe do fundo soberano russo, encontrou-se com o enviado de Trump, Steve Witkoff, e o genro do ex-presidente, Jared Kushner. O objetivo é avançar em uma proposta para o fim das hostilidades, uma das principais promessas de campanha de Donald Trump.
O encontro ocorre após uma rodada de conversas em Berlim, na semana passada, envolvendo oficiais ucranianos, europeus e americanos. O presidente ucraniano, Volodmir Zelenski, expressou cautela sobre os resultados:
"Neste momento, honestamente não sei se avançaremos, mas saberei mais tarde hoje. O progresso depende da postura dos EUA após as discussões com os russos."
Exigências de Putin e o Apoio da UE
Apesar da movimentação diplomática, o caminho para a paz enfrenta obstáculos severos. O presidente Vladimir Putin reafirmou recentemente suas "exigências maximalistas", indicando que continuará a ofensiva militar caso Kiev não aceite as condições impostas pelo Kremlin.
No campo econômico, a resistência ucraniana recebeu um fôlego importante:
A União Europeia aprovou o fornecimento de US$ 106 bilhões para os próximos dois anos.
Devido a impasses com a Bélgica sobre o uso de ativos russos congelados, o bloco optou por empréstimos via mercados de capitais.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que a Ucrânia ainda precisará de US$ 161 bilhões no próximo biênio para manter sua economia e defesa funcionando.
*Com Estadão Conteúdo.
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