Mulheres e games: de jogadoras a desenvolvedoras?
Meninas e mulheres representam metade do público dos games, mas são claramente uma minoria no desenvolvimento desses jogos digitais

Quem são as personagens de videogames? As mulheres são representadas como "superficiais", preocupadas apenas com sua imagem e aparência? Aparecem como vítimas submissas que precisam ser resgatadas por um herói masculino? Que estereótipos são reproduzidos? E quem pensa e produz esses jogos?
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Essas são algumas das questões que a iniciativa Sheroes in games tenta responder. O projeto incentiva a participação de mulheres e meninas na área de programação e desenvolvimento de jogos, tanto na América Latina quanto na Alemanha.
"É claro que as meninas têm tanto potencial quanto os meninos para participar de atividades criativas, incluindo a programação de games", ressalta Julieta Lombardelli, coordenadora do projeto, em entrevista à DW. "O segredo é oferecer a elas o espaço certo", diz a artista, professora e designer multimídia.
"Cada pessoa, independentemente do gênero, tem interesses e habilidades únicas. Presumir que as meninas só se interessam por jogos e não por programação ignora a diversidade de suas aspirações e talentos", destaca, refutando a crença de que as meninas supostamente não gostam tanto desta área.
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"Todas as mulheres são heroínas em nossa própria história", enfatiza, referindo-se ao trocadilho que dá nome ao projeto. She em inglês significa ela, e heroes, heróis.
A iniciativa tem como principal objetivo reduzir a diferença de gênero na indústria de games e é organizada pelo Goethe-Institut Buenos Aires, com a participação dos Institutos Goethe de Brasil, Colômbia, Peru, Venezuela, Chile e Bolívia, e da Universidade Nacional de Quilmes, na Argentina. O financiamento é do Ministério das Relações Exteriores da Alemanha.
Com workshops nos diferentes países envolvidos, um Game Jam internacional (encontro de desenvolvedores) e uma wiki (página web cujo conteúdo pode ser editados por múltiplos utilizadores) disponível em quatro idiomas - espanhol, inglês, português e alemão -, a ideia é tornar acessíveis a todos os interessados as diferentes ferramentas e materiais produzidos para treinamento na área.
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Um caminho que começa na infância
Quanto mais cedo as meninas forem incentivadas a participar da área, melhor, destacam as especialistas envolvidas no projeto.
"É muito necessário gerar educação tecnológica, ensinando as futuras gerações a criar conteúdo e a serem responsáveis por isso", diz a chilena Consuelo Gil Lira, designer e animadora digital, que também faz parte da Sheroes in games.
"Geralmente não há muita informação por parte das escolas ou dos adultos responsáveis", lamenta.
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"Até mesmo a questão do vício é frequentemente misturada quando se fala em jogos de videogame, e qualquer oportunidade de aprender sobre programação ou design é bloqueada, vista como um hobby e como algo negativo", destaca à DW.
No entanto, os benefícios de aproximar ainda mais as meninas dos videogames vão muito além do aspecto lúdico.
"Propomos os videogames como uma porta de entrada para as disciplinas STEAM [ciência, tecnologia, engenharia, arte e matemática]. Ao incentivar a participação de meninas e mulheres nos jogos, elas desenvolvem habilidades que são fundamentais na era digital de hoje e que são muito procuradas em vários campos de trabalho", explica Lombardelli.
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Acesso desigual
Por enquanto, no entanto, o acesso aos videogames é claramente desigual quando se fala em gênero. Embora os jogos sejam muito populares entre meninas, as mulheres ainda são minoria em termos de produção.
A boa notícia é que a tendência sugere que os ventos estão mudando. "As meninas estão demonstrando um interesse cada vez maior em criar e jogar videogames", diz Sandra Rozo, diretora da revista Gamers-On e colaboradora do Sheroes in games.
"As estatísticas revelam um aumento significativo na presença de mulheres no setor: quase 50% são jogadoras, e 25% desempenham papéis de criadoras de conteúdo", destaca, com base em estudos realizados por algumas grandes empresas do ramo.
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"Reduzir a diferença de gênero nas funções de desenvolvimento, design e outras áreas da indústria de videogames não é apenas uma questão de igualdade, mas também de promover a criatividade e a inovação no setor", destaca Lombardelli.
Autor: Maricel Drazer
