
Elefanta Kenya
Federico Sordo/Fundação Franz WeberPublicado
A elefanta africana Kenya, de 44 anos, morreu na manhã de terça-feira, 16 de dezembro de 2025, no Santuário de Elefantes Brasil (SEB), localizado na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso. O óbito foi confirmado pelo próprio santuário e posteriormente passou a ser apurado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Kenya havia chegado ao Brasil há apenas cinco meses. Ela foi transferida em julho de 2025 do Ecoparque de Mendoza, na Argentina, onde viveu por décadas em um recinto de concreto, para o santuário brasileiro, especializado em acolher elefantes resgatados de cativeiro.
Causa da morte
Segundo nota oficial divulgada pelo Santuário de Elefantes Brasil, Kenya enfrentava problemas de saúde severos, incluindo dificuldades respiratórias e dores articulares intensas provocadas por osteoartrite. As condições seriam consequência direta do longo período em que viveu em ambientes inadequados para a espécie.
De acordo com o relato da equipe, a elefanta apresentou uma piora repentina no quadro clínico. Pouco antes de morrer, emitiu um som suave descrito pelos cuidadores como um “trombetear de filhote” e faleceu em seguida. O santuário destacou que, apesar do curto período em liberdade, Kenya pôde experimentar solo natural, espaço amplo e cuidados especializados.
Apuração do Ibama
A morte de Kenya motivou a abertura de um procedimento de apuração pelo Ibama. O órgão ambiental acompanha o caso devido ao número de óbitos registrados no santuário nos últimos anos. Trata-se da quarta morte de um elefante no local em um intervalo inferior a um ano, considerando ocorrências entre 2019 e 2025.
Em nota, o Ibama afirmou que “a quantidade de óbitos não passou despercebida”, mas ponderou que os elefantes acolhidos pelo santuário geralmente chegam em idade avançada e com comorbidades graves, o que aumenta o risco de morte mesmo após o resgate.
Histórico recente de transferências
Kenya foi a segunda elefanta transferida do Ecoparque de Mendoza para o Brasil em 2025. A primeira foi Pupy, que chegou ao santuário em abril e morreu em outubro do mesmo ano, também após um período de adaptação.
Outro animal que fazia parte do plano de transferência era o elefante asiático Tamy, que acabou falecendo ainda na Argentina, em junho de 2025, antes de ser transportado.
Narrativas em disputa
O caso evidencia uma tensão entre diferentes leituras sobre o trabalho do santuário. Enquanto o SEB enfatiza o resgate do bem-estar e a redução do sofrimento crônico vivido pelos animais ao longo da vida em cativeiro, o Ibama concentra sua análise na frequência das mortes após os processos de transporte e adaptação.
Veículos de imprensa locais e nacionais, como G1, Folha de S.Paulo, Diário de Cuiabá e RD News, confirmaram tanto o falecimento de Kenya quanto a abertura da apuração pelo órgão ambiental. Até o momento, não há indícios de irregularidades, e o procedimento segue em andamento.
A morte da elefanta reacende o debate sobre os limites, riscos e responsabilidades envolvidos no resgate de grandes animais idosos mantidos por décadas em condições inadequadas, especialmente quando a transferência ocorre já em fase avançada da vida.
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