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Oinegue: A conta sempre chega e os candidatos sabem disso

Por Redação
REDAÇÃO

16/06/2026 • 22:33 • Atualizado em 16/06/2026 • 22:33

Eduardo Oinegue

Político populista e oportunista, que vamos combinar é a mesma coisa, eles adoram dizer que ninguém come PIB. É uma frase de efeito, fica aí criada pra espalhar a ideia de que estatística econômica não importa. Que o governante verdadeiramente comprometido com a sociedade não se curva às planilhas, que o que importa é melhorar a vida das pessoas.

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É bonito falar isso, é simpático, mas tem um detalhe. Não é que ninguém come PIB, ninguém come sem PIB. Estes populistas, estes oportunistas, eles querem que você acredite numa mentira. A mentira de que existem duas realidades, a da vida das pessoas e a das planilhas. Bobagem isso, as planilhas servem pra medir a realidade.

A realidade é simples, ou o Brasil tem dinheiro pra pagar os direitos que os governantes querem distribuir, ou não tem. E se não tem, ou não distribui, ou então se distribuir vai quebrar. O Brasil está na história, já esteve à beira da insolvência. Final dos anos 80 não tinha dinheiro pra nada, inflação virou hiperinflação. O dólar disparou, os salários foram corroídos, o crédito desapareceu, a vida virou um inferno. Porque a conta sempre chega e os candidatos sabem disso.

Sabem que o Brasil atravessa um momento delicado na economia, mas sabem também que promessa de austeridade não ganha eleição. Então eles ignoram o momento delicado e prometem mais gasto, sempre falando em melhorar a vida das pessoas. Sem nunca avisar que não tem dinheiro, que o dinheiro acaba, sem avisar que as contas públicas já não fecham.

Ninguém diz 'eu vou gastar menos', só que existe um limite, o limite já está batendo na porta. A gente tem a maior arrecadação de impostos da história e mesmo assim já começaram os bloqueios no orçamento porque não tem dinheiro. As agências reguladoras que são uma parte essencial da capacidade de fiscalização do Estado estão sofrendo cortes e restrições. Porque a gente tem uma estrutura de gastos engessada e ela cresce demais.

O gasto público vai crescer este ano quase 6% e o PIB deve crescer perto de 2. Então o gasto está crescendo três vezes mais rápido do que a capacidade de criação de riqueza. Então não importa quem vai vencer a eleição para presidente, o próximo governo vai ter que cortar despesas. Vai ter que fazer o tal do ajuste fiscal, vai ter que fazer a despesa caber no orçamento.

Tem estudo falando no ajuste de 4 a 5 pontos percentuais do PIB. Sabe o que é isso? 400, 500 bilhões de reais pra conter o avanço da dívida pública. Quando o novo presidente tomar posse em janeiro de 2027, o mundo das promessas vai bater de frente com o mundo dos números. E o mundo dos números sempre vence, porque o mundo dos números é o mundo real.

As planilhas não são invenção de economista não, elas registram a realidade produzida pelos governos. E a realidade tem um defeito para os populistas, para os oportunistas, ela sempre apresenta a conta pra você.

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