Imagina se na escola do seu filho você descobre que o professor de matemática não é muito bom de matemática. O que você faria? Você iria deixar quieto uu você iria cobrar da diretoria uma solução para o problema? Eu estou falando de um professor ruim, ou meia boca, entre vários professores bons. Você provavelmente iria reclamar.
Agora, olha o retrato brasileiro dos jovens professores revelado pela Prova Nacional Docente, que foi divulgada recentemente. Prova feita por 760 mil futuros professores – gente que terminou ou está terminando agora o curso de licenciatura.
Mais da metade dos candidatos a professor de matemática – não é que não seja muito boa, mas a metade não domina o conteúdo que precisa ensinar. Um terço do total não tem sequer o conhecimento mínimo exigido.
Eles avaliaram 17 áreas. Eu usei a matemática como exemplo, porque é assustador imaginar que 54% dos futuros professores estão abaixo do mínimo numa disciplina.
Ainda se o Brasil tivesse uma prova final de habilitação, tipo uma OAB, pelo menos essas pessoas teriam que se preparar antes de entrar na sala de aula, mas elas podem dar aula do jeito que elas estão, sem saber muita coisa e, em alguns casos, sem saber quase nada.
Essa multidão pode não dar aula para o seu filho, mas vai dar aula para os filhos de centenas de milhares de casais e vai continuar dando aula por 20, 30 anos. Vai ensinar os garotos de hoje, os filhos desses garotos amanhã. Milhões de jovens impactados, duas gerações comprometidas.
Quem são esses 760 mil que fizeram a prova? Dois grupos, 25% concluindo a licenciatura, estudantes do último ano de formação de professores. São os que estão prestes a entrar pela primeira vez na sala de aula. Aí nesse grupo, quase metade não domina o conteúdo da própria área.
Segundo grupo, 75% do total tem diploma, concluiu a licenciatura, já pode estar dando aula. Nesse grupo, quase um terço abaixo do conhecimento mínimo da matéria que ele vai ensinar.
O nível sólido, sabe assim, aquele que o MEC diz, “olha, esse é adequado”? Só um quarto dos professores, três de quatro, não chegaram lá.
É uma situação mais grave do que a gente imagina, porque já assusta a ideia de que uma parcela importante das crianças brasileiras não consegue aprender., aí fica pior quando uma prova mostra que alunos que não conseguem aprender vão ter aula com quem não consegue ensinar.
Essa é a nossa realidade. Na Finlândia, só pode ser professor quem tem mestrado. Aqui, qualquer um pode entrar numa sala de aula, vê se pode. O problema só muda com uma mudança radical de política pública.
E eu te pergunto, você viu algum candidato a presidente falando sobre esse tema? O seu silêncio dá uma boa pista do risco que a gente está correndo.
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