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Oinegue: Eleição à vista? Tome um pacote de bondades

As iniciativas e os pacotes pré-eleição dos candidatos, são destaques do comentário do âncora do Jornal da Band, Eduardo Oinegue

Por Redação
REDAÇÃO

06/04/2026 • 22:55 • Atualizado em 06/04/2026 • 22:55

Eduardo Oinegue
Oinegue: Eleição à vista? tome um pacote de bondades

Oinegue: Eleição à vista? tome um pacote de bondades

Reprodução/Band

Você acha certo abrir a bolsa da sua mulher ou a carteira do seu marido, tirar dinheiro dali... hoje ninguém mais tem dinheiro, tá bom, mas pegar o cartão de crédito, pegar o cartão de débito... aí você vai, compra um presente para ela, compra um presente para ele, e você fica com o crédito pela generosidade?

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É certo você tirar vantagem de um gesto que você praticou com o dinheiro de quem você quer que te agradeça? Claro que não é, né? Mas na vida pública isso acontece direto. E a gratidão que ele quer, o político, né, é o voto no dia da eleição.

No quarto ano do mandato, o governante percebe que ele deixou de fazer coisas que rendem voto e sai fazendo essas coisas. 'Ah, tem o motociclista que merece isenção de imposto, o estudante não consegue pagar o Fies, as famílias estão endividadas de novo, precisa ajudar'. É a corrida atrás do voto.

Tem um economista americano, William Nordhaus, que foi Prêmio Nobel de Economia em 2018. Ele publicou um livro, ó, há mais de 50 anos, tinha lá um artigo que dizia o seguinte: os governantes manipulam a economia no ritmo do calendário eleitoral. No início do mandato, algum grau de austeridade. No fim, pacote de bondade espalhado, porque o eleitor avalia o governo pela sensação que ele tem agora, não analisando o longo prazo.

Vamos combinar, né? Quem é que em sã consciência analisa o desempenho de um governo pensando assim: 'Nossa, eu acho que nos últimos quatro anos a minha vida esteve bem melhor do que nos quatro anos anteriores'? Claro que não, né? O eleitor vota no hoje, não vota no amanhã. O político sabe disso e a sobrevivência política vem do curto prazo.

É isso. Isso não é um privilégio de nenhuma ideologia. Se você olhar em 2020, Estados Unidos, o Donald Trump pôs o nome dele assinando cheques de 1.200 dólares enviados a 150 milhões de famílias. Nunca tinha acontecido isso.

Presidente do México, o ex-presidente López Obrador, dobrou o orçamento dos programas sociais até o final do mandato e transformou em direitos constitucionais às vésperas de sair do poder, para que o próximo governo não pudesse cortar. Isso ajudou a eleger a sucessora dele.

Vamos para a Argentina. Os Kirchners congelaram a tarifa de energia por 12 anos. Aí a conta chegou em dezembro de 2015, quando Mauricio Macri tentou corrigir, fez um tarifaço de 500%. Acabou não se reelegendo.

A gente vem para o Brasil. José Sarney, ex-presidente lá atrás, lançou o Plano Cruzado em fevereiro de 1986, ano eleitoral. Represou a inflação até novembro, quando teve eleição. Depois ele soltou tudo em dezembro.

Jair Bolsonaro editou em 30 de dezembro de 2021 uma Medida Provisória perdoando até 92% das dívidas de estudantes inadimplentes com o Fies. Quando foi sancionada a lei em junho de 22, que era ano eleitoral. O gatilho foi a promessa de Lula, que era candidato, feita 22 dias antes de anistiar os estudantes. Então, entre a bondade do adversário e a bondade do presidente, menos de um mês.

Pega aqui o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, enviou a isenção de IPVA para motos para a Assembleia Legislativa em 11 de dezembro do ano passado e aprovou em seis dias, sessão extraordinária, senão não valeria para esse ano.

Lula, o presidente, também prepara o pacote de bondades de olho em mais um programa de revisão das dívidas das famílias. Muda a ideologia do governante, muda a natureza da bondade. O que não muda é o calendário e a busca pelo voto.

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