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Oinegue: Messias é vítima de uma guerra política que está só começando

Por Redação
REDAÇÃO

30/04/2026 • 22:18 • Atualizado em 30/04/2026 • 22:18

Eduardo Oinegue

Difícil saber qual foi o maior erro de Lula ao indicar Jorge Messias para o Supremo, principalmente porque ele recebeu sinais seguidos do próprio presidente do Senado, Davi Alcolumbre, de que o advogado-geral da União ia ter vida difícil na casa – começando por ele.

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Teve um erro matemático. Lula foi apresentado a pelo menos duas projeções de assessores positivas. Uma falava em 45 votos, outra falava em 48. Precisando de 41, por que não tentar, né? Flávio Dino entrou no Supremo com 47, Paulo Gonet, reconduzido à Procuradoria-Geral da República, 45.

Então se a previsão falava em 45 ou 48, pouco importa, a aposta não parecia tão arriscada. Então aconteceu esse erro matemático. Mas antes dele falhou um cálculo político. Os líderes do governo – o próprio presidente – não souberam mensurar a taxa de trairagem.

Como é que 48 votos, 45 que seja, de uma hora para outra, viram míseros, humilhantes, 34 votos. Só tem uma explicação: 11 senadores em algum momento prometeram apoio a Messias, aí na hora H votaram contra. Ou os líderes enlouqueceram.

Tem ainda um terceiro erro – na verdade, o erro original: a soberba, que toma conta até dos políticos mais experientes quando eles governam sem o apoio, sem o suporte de um alto comando qualificado.

Ao longo de três mandatos, Lula indicou dez ministros para o Supremo. Foram todos aprovados, não teve muito estresse. Tirando o Dino, que a gente viu que teve 47 votos, menor votação antes dele foi 57. Rosa Weber, Eros Grau, César Peluso… Joaquim Barbosa teve 66 votos. Luiz Fux, 68.

Por segurança, o Palácio do Planalto decidiu vitaminar a escolha de Messias com a liberação de bilhões de reais em emendas parlamentares, oferta de diretorias e agências reguladoras, o tal do all in do pôquer. E mesmo assim, Messias foi vetado.

Além dos erros, tem nessa história uma variável que Lula menosprezou: a aversão de uma parte importante do Senado a qualquer nome que o Planalto mandasse para o Supremo.

Pega Rui Barbosa, renomado jurista, parlamentar, diplomata extraordinário. Rui Barbosa, figura central do início da nossa República. O cara que ajudou a redigir a Constituição de 1891. Ele colocou lá que o Supremo está no centro da arquitetura republicana.

E tem senador brincando que se Lula tivesse mandado Rui Barbosa nesse clima de hoje, até o Águia de Haia teria sido rejeitado.

A nossa tradição reservou para o Senado um papel secundário no processo de escolha de ministros do Supremo. Um papel micho, só confirmação. Só que a Casa decidiu mudar e escolher a outra alternativa prevista na Constituição, que é rejeitar a indicação presidencial.

O "toque de Midas" de Lula, dessa vez, não funcionou. Quanto a Messias, que queria entrar no Supremo, ele garantiu a entrada nos livros de história. Uma vítima civil de uma guerra política que está só começando.

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