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Oinegue: O financiamento da expansão de infrestruturas de IA

Por Redação
REDAÇÃO

11/08/2026 • 22:55 • Atualizado em 11/08/2026 • 22:55

Eduardo Oinegue

A gente está assistindo a um movimento impressionante no capitalismo, está acontecendo agora. A NVIDIA é a empresa mais valiosa do mundo, reunindo seis gigantes para criar uma estrutura capaz de financiar mais de meio trilhão de dólares em infraestrutura de inteligência artificial. Para entender o tamanho dos atores, a NVIDIA vale sozinha quase seis vezes todas as empresas brasileiras negociadas na bolsa somadas.

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Do outro lado, BlackRock, Blackstone, Goldman Sachs e outros graúdos que administram, ou então supervisionam, recursos que equivalem a dez vezes todo o patrimônio da indústria brasileira de fundos. É, só pra ter uma ideia dessa estrutura, e tem que ser grande mesmo pra aguentar o que vem pela frente, porque a inteligência artificial custa uma fortuna pra implantar. Um processador usado pela IA, chamado de GPU, custa dezenas de milhares de dólares. Um datacenter pode custar dezenas de bilhões de dólares.

Ainda precisa de servidores, refrigeração, subestações e uma quantidade monumental de energia. Olha o que é energia, até 2030, o consumo dos datacenters do mundo deve crescer o equivalente à produção de cinco Itaipus, até 2030. Segundo o Goldman Sachs, a infraestrutura de IA vai precisar de oito trilhões de dólares nos próximos cinco anos, dá mais de um e meio trilhão por ano. Você sabe o que é um e meio trilhão por ano? É mais de quatro vezes o que o Brasil investe num ano inteiro, pra fazer tudo. Casa, estrada, fábrica, máquina, empresa, governo.

Quando uma tecnologia, ela pede investimentos desse tamanho, dessa dimensão, não basta ter empresa interessada em comprar, adquirir essa tecnologia, tem que financiar a expansão. Isso a General Motors descobriu há mais de cem anos, ela criou uma financeira lá atrás, porque não adiantava fabricar carro se o consumidor não pudesse comprar a prazo. O General Elétrico fez o mesmo, o Caterpillar, fabricante de avião, um monte, o que a NVIDIA tá fazendo, a repetir uma fórmula numa escala gigantesca, 500 bilhões de dólares.

Só que a inteligência artificial não é um produto caro só, que precisa ser financiado, é infraestrutura, é feito ferrovia, energia elétrica, petróleo, internet, e na infraestrutura o dinheiro tem que chegar antes do resultado. Primeiro você constrói, depois aparece o uso, depois aparece quem vai usar, nas ferrovias teve que colocar uma fortuna pra fazer um monte de quilômetros de trilho, foram milhares de quilômetros de trilho antes do dinheiro aparecer. Na eletricidade, financiar usinas, redes de transmissão, senão não tem como cobrar.

O petróleo, precisou de refinaria, oleoduto, distribuição, quem financia isso tudo? Na internet, centenas de bilhões de dólares em redes e fibras óticas. É isso que torna o movimento da NVIDIA tão interessante. Pra inteligência artificial se espalhar pela economia, como essas outras infraestruturas, alguém tem que financiar as bases pra ela funcionar.

A NVIDIA tá enxergando isso só de ter tecnologia, ela percebeu? Não basta, tem que levar o dinheiro pro mundo, poder usar a tecnologia que ela criou.

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