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Oinegue: polarização é a expressão legítima da nossa escolha

Por Redação
REDAÇÃO

10/06/2026 • 22:11 • Atualizado em 10/06/2026 • 22:14

Eduardo Oinegue

O Brasil já elegeu o presidente nove vezes desde 1989. Em todas elas, nas pesquisas de junho, a gente está em junho, saiu pesquisa hoje, você encontrava um dado imutável: o eleito já estava nas pesquisas nos dois primeiros lugares.

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Sete vezes em primeiro lugar, duas vezes em segundo. Nunca em terceiro, nunca em quarto. Abaixo disso, esquece.

Segunda realidade imutável: terceiro e quarto lugar tinham um percentual mais alto do que hoje. Em nenhuma eleição, o terceiro colocado apareceu nas pesquisas de junho abaixo de 6% – em geral, de 8% a 15%.

Ciro Gomes (1998): 8%. Garotinho (2002, 2006): 15%. Marina Silva (2010, 2018): 10%. Parecia haver um espaço, quem sabe, para os candidatos crescerem.

Terceira realidade (essa não é tão absoluta): a distância entre o segundo e o terceiro variava dentro de um certo limite. A lacuna raramente ultrapassava 15 pontos percentuais. Em geral, de 5 a 12, com duas exceções – 1998, Lula estava com 30% em segundo lugar, 22 pontos à frente de Ciro. Em 2022, Bolsonaro estava em segundo com 34%, 28 pontos também à frente de Ciro.

O padrão das outras sete era uma distância razoável, dava uma certa esperança para o terceiro nome.

Aí acabou de sair a pesquisa Quaest. Depois de 37 anos de regularidade eleitoral, o quadro é outro. A distância entre Flávio Bolsonaro, que é o segundo, 29%, e o terceiro é 26 pontos percentuais. Na verdade, terceiros, porque tem um empate entre Renan Santos e Ronaldo Caiado, os dois com 3%.

Aí aparece a turma que diz que a sociedade quer fugir da polarização, que o eleitor cansou da briga entre esquerda e direita.

Um discurso que faz parecer que a polarização é uma espécie de vírus que tenta contaminar a sociedade, um vírus do qual a sociedade quer se proteger.

Para! Você acha mesmo que esses números apontam para um país que prefere a moderação, busca o equilíbrio?

Pode ser na teoria. Porque na teoria todo mundo gostaria de um candidato sem vícios, com passado limpo, que une o Brasil, que tenta achar uma proposta clara de crescimento econômico e que vai unir os poderes, acabar com a tensão na política… Daí quando o pesquisador coloca o nome na frente dos entrevistados, dois terços cravam Lula e Flávio Bolsonaro e dão uma banana para os outros.

Não é porque tem manipulação, mas porque a polarização é a expressão legítima da nossa escolha nesse momento. Lacuna de 26 pontos.

Isso não revela fraqueza de ideias dos candidatos alternativos, não. A sociedade é que está rejeitando essa gente simples assim, por isso eles ficam com um, com dois, com três.

Polarização, por mais chato que pareça, é um voto consciente, informado, tanto quanto dado a um candidato moderado. É a sociedade dizendo a “gente quer continuar assim”, “a gente quer os mesmos atores”.

A verdade é a seguinte, nós não somos vítimas da polarização, nós somos os responsáveis por ela.

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