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Oinegue: Quem tem poder real sobre os juros do país é o governo

Por Redação
REDAÇÃO

12/08/2026 • 23:00 • Atualizado em 12/08/2026 • 23:02

Eduardo Oinegue

O Banco Central divulgou nesta semana uma confissão, é isso mesmo, a ata que saiu depois da reunião do Copom é uma confissão, o Copom reduziu a Selic de 14,25% para 14%, mas deixou claro e aqui vem a confissão, deixou claro que o espaço para continuar reduzindo os juros é limitado e vai continuar limitado se o governo não fizer parte dele, ou seja, o especialistas sérios repetem, quem cria as condições para os juros baixarem, quem tem poder real sobre isso é o governo, o governo não mexe na Selic, mas mexe em tudo que acaba obrigando o Banco Central a subir, baixar, manter os juros, a ata fala em esmorecimento das reformas, falta de disciplina fiscal, dúvidas sobre a estabilização da dívida que pesam sobre os juros, quem é que esmoreceu nas reformas, quem abandonou a disciplina fiscal, quem produziu dúvidas sobre a gestão da dívida pública, é razoável um déficit nominal de 9,3% do PIB, uma dívida pública beirando 82% do PIB, é razoável falar de contas públicas dando aos números o direito de decidir o que eles são, olha, eu sei que eu sou déficit, mas eu me identifico como superávit.

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Depois da contabilidade criativa de Guido Mântega e Dilma, orçamento recreativo, o Brasil não vai construir uma economia sólida com os juros mais altos do planeta, e é inútil a Selic cair 0,25, meio ponto, numa próxima reunião, sem uma política fiscal estruturada o Brasil está condenado a andar de lado. Cresce um pouquinho, a inflação aparece, o Banco Central sobe os juros, a economia esfria, o governo tenta estimular a atividade, aumentando gastos e créditos, tasca quase 200 bilhões de reais na praça, reduz a potência da política monetária, a dívida cresce, o risco aumenta, os juros não podem cair, e a gente volta, fica nesse ciclo.

Pega o histórico da Selic desde 2000, em mais de 70% do tempo ela teve acima de dois dígitos, em mais da metade do tempo ficou em 12% ou mais, em mais de um quarto do tempo em 15% ou mais, aí você fala, e abaixo de 5%, raridade, concentrada basicamente na pandemia. Juros altos no Brasil não são um remédio amargo, como muita gente diz, mas eles são uma doença crônica, muda o presidente, muda o ministro da Fazenda e o governo continua brincando de casinha. Política fiscal e política monetária são os dois motores da economia, se o Banco Central pisa no freio e o governo no acelerador, o Brasil queima combustível e não sai do lugar.

E essa pode ser a nossa crise a partir do ano que vem, não uma segunda-feira negra, uma corrida contra o real, mas o início de mais uma década medíocre, crescendo um e meio, 2%, com investimento baixo, produtividade baixa, dívida aumentando e juros na lua. O governo precisa fazer os desejos dele caberem no orçamento e parar de tentar fazer o orçamento abraçar os desejos dele. Essa saída simplesmente não existe.

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