
PCC
Monica Zarattini/Estadão Conteúdo
A suposta conexão entre um esquema de lavagem de dinheiro de facções criminosas brasileiras e a estrutura de financiamento da Al-Qaeda passou a ser alvo central da Operação Hawala, deflagrada nesta quinta-feira (15) pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) em ações no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e em Foz do Iguaçu (PR).
Conexão internacional sob investigação
A Polícia Civil apura se a engrenagem de lavagem de dinheiro investigada no país também servia para financiar organizações internacionais classificadas como terroristas.
Segundo a corporação, as diligências identificaram uma relação comercial entre um dos investigados e um homem sancionado pelo governo dos Estados Unidos por supostamente integrar a estrutura de financiamento da Al-Qaeda, organização terrorista estruturada por Osama Bin Laden nos anos 80.
De acordo com a Polícia Civil, a partir dessa pista a investigação entra em uma nova fase, dedicada a aprofundar a apuração sobre o possível vínculo entre o esquema das facções brasileiras e o financiamento do terrorismo internacional.
Rede de lavagem acima de R$ 100 milhões
A Operação Hawala mira um esquema de lavagem de dinheiro de grupos que atuam no Rio de Janeiro e em São Paulo e que, segundo a Polícia Civil fluminense, movimentou mais de R$ 100 milhões entre 2021 e 2024.
Esses recursos, conforme a investigação, vêm da venda de drogas ilícitas por facções como o Terceiro Comando Puro (TCP), o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC).
O MPRJ denunciou 22 pessoas à Justiça, que expediu mandados de prisão contra dez delas, e até o início da manhã desta quinta-feira a Polícia Civil havia prendido oito suspeitos.
A apuração teve origem na descoberta de um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao grupo que controla a venda de drogas no Complexo de São Carlos, na região central do Rio, afiliado ao TCP.
Com o avanço das investigações, os policiais concluíram que a mesma estrutura também era usada para lavar valores de organizações criminosas associadas ao CV e ao PCC.
Empresas de fachada e uso de laranjas
Segundo os investigadores, empresas de fachada atuavam em diferentes estados para dar aparência de legalidade ao dinheiro obtido com o tráfico de drogas, a receptação qualificada e o comércio de produtos falsificados.
De acordo com a denúncia do MPRJ, o grupo usava empresas recém-criadas, depósitos fracionados, contas em nome de laranjas e a cooptação de contadores, entre outras manobras, para inserir os recursos de origem ilícita no sistema financeiro e ocultar a verdadeira procedência dos valores.
Foram analisadas centenas de transações bancárias e a movimentação de diversas empresas ligadas aos denunciados, com operações muito acima da capacidade financeira declarada dos investigados e das pessoas jurídicas envolvidas.
Próximos passos da apuração
A Operação Hawala segue em andamento para o cumprimento dos mandados remanescentes de prisão e de busca e apreensão, enquanto os investigadores continuam a rastrear o fluxo de recursos ligado às empresas e pessoas físicas sob suspeita.
Conforme aponta a Polícia Civil, a prioridade agora é esclarecer se a estrutura de lavagem de dinheiro das facções nacionais abastecia redes de financiamento do terrorismo, a partir da relação comercial já identificada com o alvo sancionado pelo governo norte-americano.
Com informações da Agência Brasil.
Fique bem informado!
Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail
Escolha quais newsletters quer receber

