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Os últimos mortos em Gaza antes do cessar-fogo

Em Gaza, 200 mil palestinos começaram o êxodo do sul para o norte, voltando para as ruínas de onde foram deslocados pelas tropas israelenses

Por Redação
REDAÇÃO

10/10/2025 • 18:04 • Atualizado em 10/10/2025 • 18:04

Moises Rabinovici
Faixa de Gaza

Faixa de Gaza

REUTERS/Amir Cohen

Um franco-atirador do Hamas matou o sargento Michael Mordechai Nachmani, 26, no norte de Gaza. Foi o último dos 1.665 soldados israelenses mortos na guerra de Gaza, até o cessar-fogo vigorar a partir do meio-dia desta sexta-feira.

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Por outro lado, 17 palestinos morreram e 71 ficaram feridos nas últimas 24 horas até o início do cessar-fogo, quando o total de mortos em dois anos de guerra chegou a 67.211 palestinos civis e combatentes, e cerca de 170 mil feridos.

Sem cessar-fogo na Cisjordânia, cerca de 70 colonos judeus agrediram palestinos que colhiam azeitonas em Beita, perto de Nablus, ao lado de pacifistas israelenses que os ajudavam, ferindo um fotógrafo da agência France Presse (AFP), Jaafar Ashtiyeh. “Se não fugisse, seria morto”, ele contou. Alguns carros foram queimados. Havia uma tropa de soldados observando, mas ela interveio atirando bombas de gás e balas de borracha para dispersar os agricultores, não os atacantes.

“Condenamos veementemente este ataque ultrajante, que é mais uma ilustração do ambiente de trabalho cada vez mais perigoso para nossos jornalistas na Cisjordânia”, disse Mehdi Lebouachera, editor-chefe global da AFP.

Perto dali, no Muro das Lamentações, em Jerusalém, rezavam os mediadores do cessar-fogo Steve Witkoff, enviado especial da Casa Branca, e Jared Kushner, o genro do presidente Trump. Sua esposa, Ivanka Trump, o acompanhava, mas na seção reservada às mulheres. Eles ficarão em Israel para acompanhar a chegada dos 20 reféns vivos e dos caixões com os restos mortais de outros 28, os últimos dos 250 sequestrados durante o massacre de 7 de outubro de 2023.

O presidente Trump e seu secretário de Estado Marco Rubio devem pousar em Israel na manhã de segunda-feira, depois seguem para o Cairo ou Sharm el-Sheik, no deserto do Sinai, onde promoverão uma cúpula regional com representantes da Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Catar, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Turquia, Arábia Saudita, Paquistão e Indonésia.

Em Gaza, 200 mil palestinos começaram o êxodo do sul para o norte, voltando para as ruínas de onde foram deslocados pelas tropas israelenses, que agora recuaram para mais perto da fronteira israelense, marcando o início do cessar-fogo. Perderam tudo, mas estão mais alegres que tristes, em sua maioria, pelo fim dos bombardeios, as explosões constantes de disparos de canhões e de bombas de drones e aviões. “Essa multidão é incrível”, comentou Shamekh al-Dibs ao jornal New York Times. “O povo está feliz, mesmo caminhando para a destruição”.

O próximo passo no cronograma do plano de cessar-fogo de Trump é a volta dos reféns, todos juntos, de uma vez só, e sem cerimônias. Hospitais em Israel estão prontos para os receber, depois que passarem por uma triagem em Reiim, o kibutz na fronteira onde se dançava num festival de música até chegarem as centenas de invasores do Hamas, cobertos por uma chuva de mísseis contra cidades israelenses. Aqui, foram mortas 400 pessoas.

Os EUA estão despachando 200 soldados para ajudar na coordenação da execução de novos pontos dos 20 do plano de Trump. Eles não pisarão em Gaza. Mas, à distância, darão apoio e logística à ajuda humanitária, que vai contar com mais de 600 caminhões diários e pessoal espacializado enviado por vários países árabes.

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