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Palco de tensões globais, Ormuz tem história de tensão e prosperidade

Alvo de disputa entre EUA e Irã, local já foi dominado pelo império português no século 16

Da redação
DA REDAÇÃO

06/08/2026 • 11:07 • Atualizado em 06/08/2026 • 11:08

O Estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao Oceano Índico, consolidou-se como o principal entrave nas negociações de paz no Médio Oriente. Atualmente, a região vive sob o espectro da guerra, com um conflito entre os Estados Unidos e o Irã que já dura seis meses, transformando a rota comercial num campo de batalha marcado por bombardeamentos.

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A relevância de Ormuz para a economia global é indiscutível. Antes do agravamento das hostilidades, cerca de 20% do petróleo mundial circulava por esta via marítima situada entre o Irã e Omã. O controle deste fluxo não é apenas uma questão comercial, mas uma poderosa ferramenta de pressão geopolítica que mantém o estreito no centro das disputas internacionais.

A importância estratégica de Ormuz, no entanto, remonta ao século 16. No auge das grandes navegações, o navegador português Afonso de Albuquerque conquistou a ilha, integrando-a ao império português como um entreposto comercial vital. Sob o domínio de Portugal, Ormuz floresceu como uma cidade cosmopolita, servindo de ponte entre o Oriente e o Ocidente para o comércio, desde especiarias a cavalos.

O ‘pedágio’ de ontem e de hoje

Um detalhe histórico curioso estabelece um paralelo direto com as tensões atuais: a cobrança de tributos. Durante o século de domínio português, as embarcações que transitavam pelo local eram obrigadas a pagar taxas, um conceito de "pedágio" que o Irã tenta agora reintroduzir. O objetivo iraniano é angariar receitas e compensações financeiras destinadas à reconstrução do seu território.

Portugal manteve a hegemonia na região por pouco mais de cem anos, período em que Ormuz viveu uma era de grande prosperidade econômica. No entanto, esta fase chegou ao fim em 1622, quando os persas reconquistaram o estreito, alterando novamente o equilíbrio de poder numa região que, séculos depois, continua a ser um dos pontos mais sensíveis da geografia mundial.