
Keiko Fujimori e Roberto Sánchez, candidatos à presidência no Peru
REUTERS/Alessandro Cinque/Angela Ponce
A conservadora Keiko Fujimori retomou a liderança na apuração do segundo turno das eleições presidenciais do Peru. Até o início da noite desta quinta-feira (11), 98,254% das urnas haviam sido apuradas.
Fujimori, do partido Força Popular, soma 50,003% dos votos (9.035.493), enquanto o esquerdista Roberto Sánchez, da coalizão Juntos pelo Peru, tinha 49,997% (9.034.466), segundo a contagem preliminar do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), responsável pelo pleito realizado no domingo (7).
Keiko Fujimori saiu na frente na apuração, mas levou uma virada do rival. Com a chegada dos votos do exterior ao Peru, no entanto, a candidata voltou a se recuperar. A vantagem de Fujimori sobre Sánchez é de 1.027 votos, em um universo de 27 milhões de eleitores.
O resultado final ainda deve demorar semanas para ser confirmado. A apuração do primeiro turno, realizado no dia 12 de abril, terminou mais de um mês depois.
O vencedor do segundo turno tomará posse no dia 28 de julho para um mandato de cinco anos.
Candidatos prometem respeitar resultado
O líder do partido Juntos pelo Peru, que disputa em nome do ex-presidente preso Pedro Castillo (2021-2022), fez um "apelo categórico a todos os agentes políticos para respeitarem o resultado, seja ele qual for, porque o Peru precisa de estabilidade".
Fujimori também fez um apelo à "tranquilidade e serenidade" para aguardar o fim da contagem, cujos resultados, afirmou, respeitará "sejam quais forem".
A filha e herdeira política do ex-ditador Alberto Fujimori (1990-2000) destacou que o resultado demonstra "uma grande divisão entre os peruanos, e cabe aos partidos políticos e seus dirigentes construir as pontes necessárias".
"Tenho muita fé e muita gratidão. Todos os líderes políticos que têm partidos com representação no Parlamento precisam dialogar. Os peruanos nos deram esse mandato, e é isso que corresponde", afirmou.
Projeções anteciparam empate técnico
O empate técnico já havia sido antecipado na noite de domingo pelas projeções das empresas de pesquisa, que confirmaram a leve vantagem de Sánchez depois que as pesquisas de boca de urna apontaram Fujimori na frente no fechamento das urnas.
Uma amostra elaborada com atas oficiais pela empresa Ipsos para a Associação Civil Transparência, com margem de erro de 1,9%, atribuiu 50,3% a Sánchez e 49,7% a Fujimori. Já a empresa Datum Internacional indicou que Sánchez recebeu 50,14% e Fujimori 49,86%, com margem de erro de 1%.
Mais de 27,3 milhões de cidadãos foram convocados às urnas no domingo para escolher o próximo presidente do Peru para o período de 2026 a 2031, após uma fase de instabilidade política que levou o país a ter oito presidentes na última década.
Segurança pública dominou campanha
A insegurança é a preocupação central dos eleitores. Cerca de 70% dos peruanos esperam que o combate à criminalidade seja a prioridade do próximo presidente, segundo uma sondagem recente.
Lima, a capital peruana, registrou 23 homicídios para cada 100 mil habitantes em 2025, três vezes mais do que cinco anos antes. No Brasil, a taxa estimada pelo Atlas da Violência para 2024 foi de 20 homicídios para cada 100 mil habitantes.
Fujimori diz que pretende mobilizar o exército para apoiar a polícia, desmantelar redes de extorsão e expulsar estrangeiros em situação irregular que tenham sido condenados por crimes. A sua plataforma política inclui ainda apresentar-se como a candidata da prosperidade, em oposição ao que ela descreve como os riscos do "comunismo".
Sánchez, por sua vez, defende que o combate à criminalidade passa por reestabelecer a confiança nas instituições, reforçar o sistema judicial e reformar a polícia.
Legados de ex-presidentes
Filha do ex-presidente e ditador Alberto Fujimori, Keiko, aos 51 anos, se candidata pela quarta vez consecutiva à Presidência, reivindicando o controverso legado do pai, condenado por corrupção e crimes contra a humanidade. Para apoiadores, seu governo foi sinônimo de estabilização da economia e a derrota das guerrilhas dos anos 1980 e 1990.
Já Sánchez, ex-ministro de 57 anos, concorre pela primeira vez, apoiado por uma base eleitoral nas regiões andinas, que se sente abandonada pelo poder central em Lima. A dois dias do primeiro turno, ele se tornou réu por supostas irregularidades no financiamento de campanha do seu partido entre 2018 e 2020.
O candidato de esquerda associa a sua imagem ao ex-presidente Pedro Castillo, detido desde uma tentativa fracassada de dissolver o Parlamento em 2022. Se eleito, Sánchez disse que lhe concederá o indulto.
Inicialmente apoiado por movimentos ultranacionalistas, o candidato moderou o discurso ao longo da campanha, sublinhando o consenso, a estabilidade e o respeito pelas instituições.
Nem Sánchez nem Fujimori dispõem de maioria parlamentar. O futuro presidente terá de formar alianças no mandato a partir de 28 de julho, que substituirá o atual presidente interino, José María Balcázar.
Na economia, o vencedor destas eleições receberá um país economicamente estável, com crescimento de 3,4% do Produto Interno Bruto (PIB). Sete em cada dez trabalhadores, entretanto, atuam na economia informal.
Enquanto Fujimori advoga pelo neoliberalismo, a propriedade privada e a atração de investimentos, Sánchez aposta numa maior presença do Estado na economia e nos aumentos salariais.
*Com informações do Estadão Conteúdo e agências internacionais.
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