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Peru: Sánchez passa Fujimori na corrida presidencial; disputa é acirrada

Ele ultrapassou a candidata de direita Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, que soma 49,9% dos votos. A disputa segue acirrada

Da redação
DA REDAÇÃO

08/06/2026 • 15:39 • Atualizado em 08/06/2026 • 15:50

Keiko Fujimori e Roberto Sánchez, candidatos à presidência no Peru

Keiko Fujimori e Roberto Sánchez, candidatos à presidência no Peru

REUTERS/Alessandro Cinque/Angela Ponce

O candidato de esquerda à Presidência do Peru, Roberto Sánchez, assumiu a liderança na corrida presidencial com 50,01% dos votos, com 93,92% das urnas apuradas, segundo a contagem oficial.

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Ele ultrapassou a candidata de direita Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, que soma 49,9% dos votos. A disputa segue acirrada.

Fujimori tinha uma vantagem inicial após o término da votação no domingo, mas Sánchez continuou reduzindo a diferença à medida que a contagem prosseguia, impulsionado pelos votos das regiões rurais do Peru.

"Este resultado traduz a divisão do país, mas revela também que nenhuma força política é hegemônica", disse à agência de notícias AFP o analista Paulo Vilca, do Instituto de Estudos Peruanos (IEP), quando a contagem dos votos começou a indicar uma disputa acirrada.

Os primeiros votos contabilizados foram depositados, em maioria, nas grandes cidades, onde Fujimori tende a ser a favorita dos eleitores.

Sánchez, enquanto isso, encontra maior apoio nas zonas rurais, cujos votos costumam ser apurados por último, junto com os votos do exterior, que, por sua vez, favorecem a candidata de direita.

Duas projeções da noite de domingo, elaboradas pelas empresas Ipsos e Datum Internacional, apontavam uma vitória por cerca de 0,5 ponto percentual para Sánchez.

Quase 27 milhões de peruanos votaram no segundo turno de domingo, que transcorreu sem incidentes. Já o primeiro turno, em abril, fora marcado por falhas e acusações de fraude. Concorriam, então, um recorde de 35 candidatos.

Uma década de crise política

É comum ouvir dos eleitores que a sua escolha foi pelo "menor dos males" entre Sánchez e Fujimori, que é filha do ex-presidente e ditador Alberto Fujimori. Predominam, em parte da sociedade, sentimentos de desconfiança em relação à classe política e fadiga frente ao aumento da criminalidade.

"Estamos numa crise que dura mais de uma década", disse Renzo Masa, estudante de 23 anos.

Aos 51 anos, Fujimori se candidata pela quarta vez consecutiva à presidência, reivindicando o controverso legado do pai, condenado por corrupção e crimes contra a humanidade. Para apoiadores, seu governo foi sinônimo de estabilização da economia e a derrota das guerrilhas dos anos 1980 e 1990.

"Votei em Keiko porque representa estabilidade. Infelizmente, não lhe demos oportunidade de governar", afirmou Luis Bernaola, técnico de eletrônica de 44 anos.

Já Sánchez, ex-ministro de 57 anos, concorre pela primeira vez, apoiado por uma base eleitoral nas regiões andinas, que se sente abandonada pelo poder central em Lima. A dois dias do primeiro turno, ele se tornou réu por supostas irregularidades no financiamento de campanha do seu partido entre 2018 e 2020.

"Precisamos de mudança. O equilíbrio de poderes é importante", declarou Juan Salas, comerciante de 32 anos.

*Com DW Brasil e Reuters.