Band Jornalismo

Petistas veem escolha de Flávio como "tiro no pé" e revivem acusações

Relator da CPMI do INSS, deputado é alvo de acusações de estupro que ele nega e levou ao STF

Da redação
DA REDAÇÃO

06/08/2026 • 11:37 • Atualizado em 06/08/2026 • 12:54

Parlamentares do PT que participaram da CPMI do INSS criticaram a decisão do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de escolher o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente da República e avaliam que a indicação expõe o isolamento político da campanha ao Palácio do Planalto.

Compartilhar

Escolha de Gaspar e isolamento da chapa

Para o deputado Rogério Correia (PT-MG), a definição do nome de Gaspar foi um erro estratégico. Ele afirmou que se trata de "um tiro no pé" e disse que a campanha de Flávio Bolsonaro tende a recolocar em pauta temas ligados à CPMI do INSS, "assunto o qual eles são responsáveis por toda a roubalheira", segundo sua avaliação.

Correia também classificou a escolha como mais um sinal de fragilidade da candidatura. "É um isolamento, com certeza. E dentro do isolamento escolheram mal", declarou o petista, que integrou a comissão parlamentar mista de inquérito.

Outros integrantes da CPMI fazem leitura semelhante. O deputado Rubens Pereira Júnior (PT-MA) afirmou que a indicação de Gaspar "mostra falta de aliados do lado de lá". Já o deputado Jorge Solla (PT-BA) disse ver "isolamento político" e avaliou que "a extrema direita está isolada".

Segundo aliados petistas, Flávio Bolsonaro tentou costurar o apoio de partidos de centro e centro-direita para ampliar o tempo de televisão, mas não conseguiu atrair grandes siglas. PP, União Brasil e Republicanos, apontados como principais alvos dessas negociações, optaram pela neutralidade na disputa presidencial.

CPMI do INSS e relatório rejeitado

Gaspar foi relator da CPMI do INSS e apresentou relatório que incluía Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entre os indiciados. O texto acabou rejeitado pelo colegiado, o que ampliou o embate entre governistas e oposição em torno da comissão.

Apesar de se declarar "de direita com muito orgulho", Gaspar prometeu realizar um trabalho equilibrado na relatoria da CPMI. Já Rogério Correia afirma que o deputado atuou para conter investigações sobre supostas irregularidades no INSS durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Acusações de estupro e reação de Gaspar

Com a entrada de Gaspar na chapa de Flávio Bolsonaro, petistas indicam que vão retomar acusações feitas na reta final da CPMI. Na ocasião, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) chamou o relator de "estuprador", imputando a ele o crime de estupro de vulnerável, o que Gaspar nega.

Lindbergh e a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) acusaram Gaspar de ter estuprado, oito anos antes, uma adolescente de 13 anos que teria engravidado. Eles afirmaram que a avó da criança foi registrada como mãe por a jovem ser considerada nova demais para assumir o bebê e defenderam "pronta verificação documental e biológica dos fatos".

Gaspar sustenta outra versão. Ele afirma que a história diz respeito a seu primo Maurício César Brêda Filho, que teria mantido relacionamento sexual com uma mulher de 21 anos em Alagoas, quando ele ainda era menor de idade. Segundo o deputado, essa mulher teria engravidado, mudado-se para o Rio de Janeiro sem avisar a família e a criança teria sido batizada como Lourilene Pereira da Silva.

Após as acusações, Gaspar acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) contra Lindbergh Farias e Soraya Thronicke. O caso está sob relatoria do ministro Gilmar Mendes e ainda aguarda decisão.

Poucos minutos depois do anúncio de Gaspar como vice, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, retomou o tema nas redes sociais. No X, ele escreveu que "Flávio Bolsonaro acabou de indicar para vice um cidadão que foi acusado de estupro de vulnerável" e concluiu: "Eles se merecem".

Com informações do Estadão Conteúdo.