Com faturamento bilionário e a terceira maior população de animais de estimação do mundo, o Brasil ainda carece de uma legislação específica para regular os convênios veterinários, deixando consumidores dependentes apenas do Código de Defesa do Consumidor.
O setor de produtos e serviços para animais de estimação no Brasil vive um momento de pujança, com um faturamento que atinge quase R$ 70 bilhões por ano. Atualmente, o país possui cerca de 160 milhões de animais, ficando atrás apenas da China e dos Estados Unidos em termos de população pet.
No entanto, este crescimento acelerado expõe uma lacuna jurídica: ao contrário dos planos de saúde para humanos, os planos para animais de estimação ainda não possuem leis específicas que os regulem no Brasil.
Reajustes e fiscalização
A ausência de uma agência reguladora ou de legislação dedicada torna a fiscalização um desafio para os tutores. Um caso emblemático é o de Eric, tutor da Alice, uma cadela da raça Shih Tzu de 11 anos. Após um aumento de quase 30% nas mensalidades --considerado abusivo pelo proprietário-- a família optou pelo cancelamento do serviço.
"Não tínhamos mais condições, estava ficando caro demais em relação à utilização", explicou Eric, que acabou contratando um plano mais acessível para garantir o acompanhamento médico da cadela.
Estima-se que, atualmente, entre 1% e 5% da população pet brasileira possua algum tipo de cobertura de saúde. Embora o Congresso esteja discutindo uma lei sobre o tema, a falta de regulamentação imediata significa que não existe uma fiscalização sobre os moldes de funcionamento e os reajustes aplicados por estas empresas.
Consumidor deve precaver-se
Enquanto a nova legislação não entra em vigor, as relações entre tutores e operadoras de planos de saúde animal são regidas pelo Direito do Consumidor. Especialistas alertam para a importância crucial da leitura atenta dos contratos de prestação de serviço antes da assinatura.
- Os pontos de maior atenção devem incluir:
- Cobertura de atendimentos de emergência;
- Limites para exames e internamentos;
- Cláusulas sobre cirurgias e carências.
A posse de um contrato detalhado é a principal arma do cidadão, servindo como prova essencial caso seja necessário recorrer à justiça ou aos órgãos de defesa do consumidor. Sem o documento que especifica o que está ou não incluído, torna-se praticamente impossível contestar abusos ou falhas no serviço prestado.
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