Band Jornalismo

Professor é espancado na estação da Linha 5-Lilás em SP e acusa homofobia

Docente de 29 anos relata espancamento na Linha 5-Lilás; caso foi registrado como lesão corporal, e empresa e SSP dizem colaborar com investigação

Da redação
DA REDAÇÃO

15/07/2026 • 15:07 • Atualizado em 15/07/2026 • 15:07

Linha 5-Lilás

Linha 5-Lilás

Reprodução/Diário de Transporte

O professor Ricardo Akira Matsufuji, de 29 anos, que é gay, afirma ter sido espancado por um passageiro na plataforma de uma estação da Linha 5-Lilás do metrô, na zona sul de São Paulo, na manhã de sábado (11), e diz que a agressão teve motivação homofóbica. O caso foi registrado pela Polícia Civil como lesão corporal e encaminhado para a Delegacia do Metropolitano.

Compartilhar

Professor descreve agressão na Linha 5-Lilás

Segundo o professor, ele seguia para o trabalho por volta das 7h40 e lia materiais da aula no celular quando sentiu um chute na perna dentro do vagão. Ao desembarcar na estação, um homem passou a lhe direcionar ofensas de caráter homofóbico e avançou contra ele.

Na narrativa de Ricardo, o agressor usava máscara branca e dizia que havia sido filmado dentro do trem. Ele relata que o homem o agarrou por trás e desferiu diversos golpes na cabeça, provocando sangramento no nariz, hematomas no rosto e na cabeça, além de uma fratura.

Toda vez que ele me socava, eu caía e depois tentava me levantar

O docente afirma que outros passageiros testemunharam as agressões, mas não intervieram. Ele conta que conseguiu se desvencilhar e correu até a escada rolante, momento em que algumas pessoas passaram a ajudá-lo e, segundo ele, ouviram as falas homofóbicas do suspeito.

Ricardo diz ainda que os agentes de segurança da estação chegaram apenas após o fim das agressões. As equipes separaram vítima e suspeito em salas distintas e, depois, conduziram ambos à UPA Vila Mariana no mesmo veículo, com divisória interna, o que permitiu que ele ouvisse o homem falar na parte traseira.

Atendimento médico e registro da ocorrência

Na unidade de pronto atendimento, o professor permaneceu cerca de duas horas em observação, recebeu cuidados médicos e realizou exames de raio-X. Em seguida, ele foi levado ao 27º Distrito Policial, no Campo Belo, onde a ocorrência foi registrada.

Ricardo afirma que, ao chegar à delegacia, o suspeito já havia sido liberado, assim como funcionários da concessionária. Ele relata que a polícia recusou a classificação do caso como homofobia, registrou a ocorrência como lesão corporal e o enquadrou como vítima e autor, porque a mão do agressor também ficou ferida.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública informou que solicitou exames periciais dos envolvidos e que, caso surjam novos elementos durante a investigação, a natureza da ocorrência pode ser modificada. A pasta afirma ainda que a autoridade policial está à disposição da vítima para colher informações adicionais que possam subsidiar as apurações.

Repercussão nas redes e decisão de representar

O professor publicou vídeos nas redes sociais para relatar o episódio e disse ter se impressionado com a mobilização gerada. Ele afirma que pretende apresentar representação jurídica na esfera penal contra o agressor.

Em uma das gravações, Ricardo comenta ter recebido relatos de pessoas que passaram por situações semelhantes. Na visão dele, crimes de natureza racial e contra a população LGBTQI+ aparecem de forma frequente e geram um sentimento de naturalização, o que, segundo afirma, torna ainda mais difícil lidar com o processo legal.

Posição da ViaMobilidade e orientações aos usuários

A ViaMobilidade, concessionária responsável pela Linha 5-Lilás, informou ter registrado uma ocorrência de desentendimento entre clientes no interior de uma composição, no trecho entre as estações Campo Belo e Eucaliptos, no sábado. A empresa afirma que, ao ser informada, o operador reteve o trem na estação Eucaliptos para atuação das equipes de atendimento e segurança.

Segundo a concessionária, agentes identificaram as partes envolvidas, prestaram os primeiros socorros ao passageiro que apresentava escoriações no rosto e o encaminharam à UPA Vila Mariana e ao 27º Distrito Policial para registro da ocorrência e prosseguimento da denúncia. Em nota, a empresa lamentou o ocorrido e declarou repudiar qualquer ato de violência, discriminação ou intolerância, além de dizer que está à disposição das autoridades e que treina equipes para acolher vítimas e promover ações permanentes de conscientização.

A ViaMobilidade também orienta que, em casos de problemas ou conflitos dentro dos trens, os clientes utilizem os intercomunicadores das composições para solicitar apoio imediato das equipes, o que, segundo a empresa, permite resposta mais rápida.

Diferença entre lesão corporal e crime de homofobia

O crime de homofobia é considerado mais grave que a lesão corporal simples. Quando a prática homofóbica resulta em agressão física, há a soma da pena do crime equiparado ao racismo com a do delito de lesão corporal, o que pode levar a condenações que variam de 3 a 12 anos de reclusão, além de multa.

Até a publicação deste texto, a identidade do suspeito não havia sido divulgada pelas autoridades, o que impede o contato com sua defesa para comentar o caso.

Com informações do Estadão Conteúdo.