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Protestos no Irã: 1 dólar vale 1,45 milhão de riais

País entrou em erupção, com lojas fechadas e iranianos protestando nas ruas de Teerã, Isfahan, Shiraz e Mashhad, por causa do colapso vertiginoso da moeda nacional

Moises Rabinovici
MOISES RABINOVICI

30/12/2025 • 07:26 • Atualizado em 30/12/2025 • 07:26

Moises Rabinovici
Bandeira do Irã

Bandeira do Irã

REUTERS/Leonhard Foeger/File Photo

O Irã entrou em erupção, com lojas fechadas e iranianos protestando nas ruas de Teerã, Isfahan, Shiraz e Mashhad, por causa do colapso vertiginoso da moeda nacional, o rial, que bateu o recorde histórico de 1,45 milhão de riais por 1 dólar.

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As manifestações já são descritas como as maiores desde os grandes protestos de 2022, quando a jovem curda iraniana Mahsa Amini morreu sob custódia policial, depois de detida por não estar vestida corretamente, segundo a polícia moral.

Em alguns locais, houve repressão aos manifestantes. Um momento que lembrou a cena histórica de um chinês diante de tanques na Praça da Paz Celestial, em junho de 1989, foi a de um adolescente iraniano, desarmado, impedindo, sentado no meio da rua em Teerã, que uma tropa em motocicletas avançasse.

Os protestos começaram em 28 de dezembro, na área do Grand Bazaar, o mercado central de Teerã, quando comerciantes e lojistas fecharam as portas e saíram às ruas. O estopim foi a queda do rial frente ao dólar, de 1,38 a 1,45 milhão de riais por 1 dólar. A moeda já vinha em trajetória de baixa, negociada acima de 1,3 milhão por dólar, agravando a inflação e o custo de vida.

Os jornais Tehran Times e Iran Daily não falam dos protestos, mas de novos armamentos balísticos que o Irã tem desenvolvido para um novo confronto com Israel e Estados Unidos. Um deles publicou na capa de hoje uma foto do Weizman Institute, em Israel, atingido durante a guerra de 12 dias, atualmente em reforma. O “feito militar” não empolgou os manifestantes. A erupção dos protestos em Teerã logo se espalhou pelos grandes centros urbanos do país.

Os vídeos postados em redes sociais mostram multidões de iranianos cantando em coro: “Mulahs devem deixar o Irã” e “Morte à ditadura”, instalada no país há 46 anos.

O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu reclamou com o presidente Donald Trump, no encontro que tiveram ontem, em Palm Beach, na Flórida, as novas ameaças que o Irã tem feito a Israel. E recebeu apoio para um ataque, mesmo se os iranianos pretenderem apenas restaurar seu programa balístico.

O regime dos aiatolás não está caindo. Ainda. Mas os protestos são um desafio à sua legitimidade, somado à crise econômica e as tensões políticas. Enquanto o povo nas ruas protesta contra a alta inflação e o governo iraniano investe em novos armamentos, a insatisfação cresce e pode transbordar fora de controle.

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