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PT vai processar vice de Tarcísio por ter chamado partido de 'narcoafetivo'

A declaração de Felício Ramuth (PSD) foi feita durante um evento na capital paulista

Da redação
DA REDAÇÃO

06/01/2026 • 15:32 • Atualizado em 06/01/2026 • 15:39

Vice-Governador Felício Ramuth

Vice-Governador Felício Ramuth

João Valério / Governo do Estado SP

O Partido dos Trabalhadores (PT) vai ingressar com uma ação judicial contra o vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth (PSD), após ele se referir à sigla como “narcoafetiva”.

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A declaração foi feita durante um evento na capital paulista. Ao ser questionado por jornalistas sobre o fluxo migratório de venezuelanos para o Brasil após a captura do ditador Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, Ramuth, vice do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), aproveitou para criticar o PT.

“Eu acredito que esse êxodo vai acabar levando aquelas pessoas, principalmente na fronteira, a retornar ao seu país, onde ele vai poder desfrutar de liberdade e vai deixar de ter aquele Estado ‘narcoafetivo’, como nosso PT, que temos aqui no nosso País”, afirmou.

Procurado pela reportagem, o vice-governador reafirmou o uso do termo. Segundo ele, a expressão “narcoafetivo” foi empregada em sentido político e retórico. “O termo foi usado para criticar uma postura pública de tolerância e relativização diante do crime organizado”, declarou Ramuth.

O acionamento da Justiça faz parte de uma estratégia do PT para se distanciar da imagem de leniência em relação às drogas ilícitas. No ano passado, o tema já havia provocado desgaste para o partido após uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que classificou traficantes como “vítimas” dos usuários, gerando repercussão negativa.

A fala de Ramuth ocorreu após uma pergunta direcionada ao prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), sobre o impacto do fluxo migratório de venezuelanos na cidade. Na ocasião, o vice-governador afirmou que o Estado de São Paulo precisa estar preparado para receber imigrantes quando há crises em países vizinhos, mas avaliou que, com as mudanças na Venezuela, a tendência seria de retorno dos cidadãos ao país de origem.

Durante o mesmo evento, Ricardo Nunes disse esperar que, com o afastamento de Nicolás Maduro do poder, diminua a necessidade de venezuelanos deixarem o país. Ainda assim, ressaltou que a capital paulista continuará acolhendo refugiados, caso eles cheguem à cidade.

Queda de Maduro

No sábado, 3, os Estados Unidos bombardearam Caracas e capturaram o ditador Nicolás Maduro e sua esposa. Desde março de 2020, Maduro é alvo de acusações criminais no Tribunal do Distrito Sul de Nova York.

Com a prisão, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu interinamente a Presidência da Venezuela. Ligada a uma ala mais ideológica do chavismo, ela também é conhecida por manter diálogo com setores da elite econômica do país.

Apesar de a oposição não ter assumido o poder, María Corina Machado anunciou nesta segunda-feira, 5, que pretende retornar à Venezuela o mais rápido possível. A vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025 também criticou a presidente interina, afirmando que Delcy Rodríguez é uma das principais responsáveis por práticas de tortura, perseguição política, corrupção e envolvimento com o narcotráfico no país.

*Com informações do Estadão Conteúdo.