
Construções destruídas por ataques russos contra a Ucrânia
Alexander Ermochenko/Reuters
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, reconheceu pela primeira vez que seu país vem sofrendo "uma certa escassez" de combustíveis, após repetidos ataques ucranianos a refinarias de petróleo e outras instalações no território russo. "No momento, estamos observando uma certa escassez, mas não é crítica", afirmou ele neste domingo (28).
Quanto aos ataques contra infraestrutura crítica em geral, e infraestrutura energética em particular, é claro que esses ataques às nossas instalações de infraestrutura criam problemas; isso é óbvio. --Vladimir Putin
O líder russo disse que a principal tarefa agora é aumentar a capacidade de defesa antiaérea russa e garantir o fornecimento de combustível, principalmente para a Crimeia, que está sendo gravemente afetada pela falta de combustível, que levou o governo de ocupação russo a barrar a venda de gasolina para civis.
Putin também afirmou aguardar que uma equipe de negociadores dos Estados Unidos vá a Moscou para discutir o fim da guerra na Ucrânia, tão logo Washington não esteja mais tão ocupado com os conflitos no Irã e no Oriente Médio.
Cessar-fogo rejeitado
Em entrevista à emissora estatal Rossiya 1, Putin disse que a Ucrânia propôs a suspensão mútua dos ataques de longo alcance como um passo em direção à paz. Moscou, porém, viu isso como uma forma de aliviar a pressão sobre as forças de Kiev ao longo da linha de frente de 1.250 km entre os dois lados.
É claro por que essa proposta está sendo feita. Nossos contra-ataques em território ucraniano são muito mais fortes, têm maior impacto e são mais destrutivos. Dada a catastrófica escassez de pessoal, as Forças Armadas da Ucrânia acreditam que isso poderia ser a sua salvação. Mas salvar o regime de Kiev não faz parte dos nossos planos. --Vladimir Putin
O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, escreveu uma carta aberta a Putin neste mês propondo um encontro presencial, que o líder russo rejeitou.
Putin promete segurança
Na Península da Crimeia, anexada ilegalmente pela Rússia em 2014, autoridades locais declararam "estado de emergência" na última sexta-feira (26) devido à escassez de combustíveis e aos cortes de energia provocados por ataques ucranianos às suas cadeias logísticas e instalações petrolíferas.
Pouco antes, em um discurso no congresso do partido Rússia Unida, Putin prometeu garantir a segurança e superar os desafios, enquanto a Ucrânia intensifica seus ataques retaliatórios em solo russo. "Superaremos todos os desafios que enfrentamos hoje, incluindo os ataques terroristas ao nosso território e infraestrutura", afirmou Putin.
Reação a bombardeios russos
O discurso de Putin ocorreu horas depois de um ataque de drone ucraniano ter matado uma pessoa na região de Krasnodar, no sul da Rússia, e provocado um incêndio em uma refinaria. Zelenski classificou o ataque como parte das "operações que enfraquecem a capacidade da Rússia de travar esta guerra".
A refinaria de petróleo de Slaviansk, na região de Krasnodar, foi atingida, a cerca de 300 quilômetros da linha de frente. Também atingimos uma refinaria na região de Yaroslavl, a aproximadamente 700 quilômetros da nossa fronteira. --Zelenski
Na semana passada, outro ataque ucraniano causou um grande incêndio em uma refinaria a sudeste de Moscou. A Ucrânia considera os ataques uma retaliação justa pelos bombardeios quase diários da Rússia contra civis ucranianos e infraestruturas de energia desde o início da invasão russa de seu território, em fevereiro de 2022.
Na semana passada, Trump disse que Zelenski estava se saindo bem na guerra contra a Rússia. Analistas dizem que a Ucrânia vem resistindo cada vez melhor no campo de batalha, mas suas cidades ainda são alvo de ataques russos mortais em um conflito que já dura mais tempo que a Primeira Guerra Mundial.
Com DW
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