
Balão atinge fiação e provoca incêndio durante queda
Pixapay
Com a chegada do período das festas juninas, marcado por celebrações e tradições populares, também acende um sinal de alerta para o setor elétrico no país. Nesta época do ano, cresce o número de ocorrências envolvendo balões, prática proibida por lei e que pode causar quedas de energia, incêndios e prejuízos à infraestrutura elétrica.
A queda de balões na rede elétrica da Grande São Paulo já deixou mais consumidores sem energia nos cinco primeiros meses de 2026 do que durante todo o ano de 2025. De acordo com a Enel, concessionária de energia, entre janeiro e maio, 33.001 clientes tiveram o fornecimento interrompido devido à queda de balões. Já em todo o ano de 2025, o número de consumidores afetados foi de 27.541. Se compararmos, o aumento foi de quase 20% entre os períodos mencionados.
Nos cinco primeiros meses deste ano, a distribuidora contabilizou 16 ocorrências envolvendo balões, contra 42 no mesmo período do ano passado. Embora menos frequentes, os episódios registrados em 2026 atingiram pontos importantes da rede elétrica e provocaram desligamentos que alcançaram um número maior de consumidores.
Embora os casos tenham sido menos frequentes neste ano, os números indicam que os episódios registrados tiveram impacto maior. Isso ocorre porque, dependendo do ponto atingido, a queda de um balão pode comprometer equipamentos que abastecem uma grande quantidade de consumidores ampliando os efeitos da interrupção e tornando o restabelecimento do serviço mais complicado.
Piores regiões com interrupção de energia
Neste ano, a capital paulista concentrou o maior número de clientes afetados por ocorrências envolvendo balões. Em sete ocorrências, 16.030 consumidores ficaram sem energia elétrica.
A cidade de Taboão da Serra, na Grande São Paulo, registrou dois casos que afetaram 14.871 consumidores. Juntas as duas cidades representam cerca de 94% do total de clientes impactados na área de concessão da distribuidora neste ano.
Nas demais cidades da região metropolitana os números foram menores. Cotia aparece na terceira posição do ranking com 1.416 consumidores impactados em apenas uma ocorrência.
Em Osasco, foram 283 consumidores atingidos, enquanto Mauá contabilizou 253. Apesar de Carapicuíba tee tido três ocorrências que interromperam o fornecimento de energia entre janeiro a maio de 2026, 147 consumidores foram afetados, um número menor em relação às cidades vizinhas. Já em Vargem Grande Paulista, apenas um cliente foi impactado com uma única queda de balão no município.

Enel faz reparo em rede elétrica em SP Crédito: Marco Ambrosio/Estadão Conteúdo
Soltar balão é crime ambiental
Apesar da tradição nas comemorações juninas, soltar balões é considerado crime ambiental no Brasil e pode resultar em multa e pena de prisão. A prática é proibida pela Lei de Crimes Ambientais, que prevê detenção de um a três anos ou aplicação de multa para quem fabricar, vender, transportar ou soltar balões que possam provocar incêndios em áreas urbanas, florestas e outras regiões de vegetação.
Além dos danos ambientais, os balões representam riscos à segurança da população. Ao cair, eles podem atingir residências, indústrias, depósitos de combustíveis, áreas de preservação e redes de energia elétrica, provocando incêndios, acidentes e interrupções no fornecimento de eletricidade. Durante os meses de junho e julho, órgãos de fiscalização e concessionárias intensificam campanhas de conscientização para alertar sobre os perigos da prática.
E dependendo do local atingido, um único incidente pode afetar milhares de consumidores e comprometer o funcionamento de residências, comércios e serviços.
Com supervisão de Tatiana Santiago
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