
Coronel Cláudia será a primeira mulher a ingressar no generalato do Exército
Divulgação/Exército Brasileiro
A história do Exército Brasileiro está prestes a ganhar um capítulo inédito. Na última quarta-feira (24), o Alto-Comando escolheu a coronel médica Cláudia Lima Gusmão Cacho para ser promovida ao posto de general de brigada.
Se o nome for ratificado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Cláudia será a primeira mulher a atingir o generalato na instituição. A promoção é um divisor de águas para uma Força que só passou a permitir mulheres em seus quadros permanentes em 1992.
Do Recife para o comando da saúde militar
Natural de Recife (PE), Cláudia Gusmão construiu uma trajetória que une o cuidado técnico da pediatria à gestão de crise. Formada pela Universidade de Pernambuco (UPE), iniciou sua vida militar em janeiro de 1996 como oficial temporária no 42º Batalhão de Infantaria Motorizada, em Goiânia.
A vocação consolidou-se em 1998, quando foi aprovada no concurso da Escola de Saúde do Exército. Casada com o general de divisão Jorge Augusto Ribeiro Cacho e mãe de duas filhas, a oficial equilibrou a vida familiar com uma formação acadêmica robusta, incluindo residência no IMIP e MBA em Gestão Estratégica de Saúde pela FGV.
Experiência em hospitais estratégicos
A indicação ao generalato é fruto de uma carreira marcada pelo comando de unidades de alta complexidade. Cláudia dirigiu o Hospital de Guarnição de Natal e o Hospital Militar de Área de Campo Grande, peças-chave na logística regional da Força.
Antes da indicação, ela exercia a subdiretoria técnica do Hospital Central do Exército (HCE), no Rio de Janeiro. Conhecido como o "coração" da medicina militar brasileira, o HCE é a unidade de referência para procedimentos de alta complexidade para militares e seus dependentes.
Sua formação militar também seguiu o rigor exigido para a elite da tropa. Ela concluiu o curso da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME) em 2013, requisito obrigatório para alcançar o topo da hierarquia.
O novo cenário da presença feminina
Diferente da Marinha e da Aeronáutica, que já possuem mulheres em postos de oficial-general desde a década passada, o Exército ainda mantinha essa lacuna em seu oficialato. A escolha de Cláudia Gusmão acompanha uma modernização estrutural da Força.
Em 2025, o Exército promoveu as primeiras mulheres à graduação de subtenente. Além disso, a instituição prepara a incorporação de mais de mil mulheres soldados para o serviço militar em março de 2026.
A promoção de Cláudia agora segue para a fase final: a assinatura do decreto presidencial. Por tradição, o Palácio do Planalto acata a escolha técnica feita pelo Alto-Comando, oficializando o novo posto em Diário Oficial.
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