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Quem é Cristiano Zanin, ex-advogado de Lula responsável por abrir julgamento de Bolsonaro

O advogado, de 49 anos, ganhou notoriedade por ser o principal advogado de Lula durante o processo da Operação Lava Jato

Emanuele Braga
EMANUELE BRAGA

01/09/2025 • 15:40 • Atualizado em 01/09/2025 • 15:40

Cristiano Zanin herdará vaga de Lewandwski no STF

Cristiano Zanin herdará vaga de Lewandwski no STF

Pedro França/Agência Senado

Formado em direito na PUC-SP, o presidente da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, Cristiano Zanin, será responsável por abrir a sessão do primeiro dia de julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, e sete aliados, por tentativa de golpe de Estado. O advogado, de 49 anos, ganhou notoriedade por ser o principal advogado de Lula durante o processo da Operação Lava Jato.

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Cristiano Zanin Martins é formado em direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC), onde também se especializou em direito processual civil. Mais tarde, Zanin se tornou professor na Faculdade Autônoma de Direito (FADISP) até 2023 – quando foi indicado por Lula para ocupar a vaga do ministro aposentado Ricardo Lewandowski no Supremo.

Natural de Piracicaba, no interior de São Paulo, Zanin passou a ser sócio do escritório Martins Advogados, em 2004, e 18 anos mais tarde, em 2022, abriu o próprio negócio, em sociedade com a esposa, Valeska Martins, filha de seu ex-sócio Roberto Teixeira – que havia atuado como advogado de Lula nos anos anteriores.

O casal de advogados atua como litígios de empresas no enfrentamento de “lawfare”, prática do uso excessivo do direito para perseguir inimigos ao qual Zanin afirmou que Lula foi vítima durante a operação Lava Jato.

Lava Jato

Zanin ganhou notoriedade quando representou Lula na Operação Lava Jato, que começou em março de 2014, a fim de investigar crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Ao longo dos processos, o advogado alegou que Lula era vítima de “lawfare” (perseguição judicial).

Lula chegou a ser condenado pelo então juiz Sergio Moro, atual senador da República pelo União Brasil, e Zanin acumulou derrotas no auge da operação. No entanto, com a chamada “Vaza Jato”, o vazamento de supostas conversas comprometedoras entre Moro e o procurador Deltan Dallagnol (atual deputado federal cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral), o advogado iniciou a guinada no processo.

Moro foi considerado parcial pelo STF. Antes disso, o ministro Edson Fachin, em tentativa de impedir a suspeição do ex-juiz de Curitiba, anulou os processos contra o petista por entender que o caso deveria ser julgado em Brasília por outro magistrado.

Em 2021, um pedido de habeas corpus no STF pela equipe de defesa do presidente resultou na anulação das condenações de Lula relacionadas à Operação Lava Jato. O Supremo reconheceu a parcialidade de Moro e o declarou como suspeito, além de anular as decisões.

Em 2020, o escritório de Zanin foi alvo de uma operação que investigava suposto tráfico de influência com desvios de recursos públicos do Sistema S. A ordem foi assinada pelo juiz Marcelo Breta, da Lava Jato no Rio de Janeiro. Na época, o advogado disse que a ação foi uma tentativa de intimidação.

O advogado chegou a participar da coordenação da campanha presidencial de Lula nas eleições de 2022, e compôs o grupo técnico sobre Justiça e Segurança Pública do gabinete de transição presidencial.

Supremo Tribunal Federal

Em agosto de 2023, ele tomou posse como ministro para substituir o ministro aposentado Ricardo Lewandowski. Em 2024, Zanin presidiu, pela primeira vez, a sessão de julgamento da Primeira Turma do Supremo, sendo sucessor do ministro Alexandre de Moraes.