
Gavin Newsom
REUTERS/Fred Greaves
O governador da Califórnia, Gavin Newsom, um dos principais nomes do Partido Democrata e ferrenho opositor de Donald Trump, está no Brasil para participar de eventos relacionados à COP-30, conferência do clima que será realizada em Belém (PA).
Durante o Simpósio Global de Investidores, promovido pelo Milken Institute em São Paulo, na segunda-feira (10), Newsom criticou a ausência de representantes do governo norte-americano na preparação para o evento climático.
“A razão de eu estar aqui é a ausência de lideranças dos EUA. Esse vácuo é realmente de cair o queixo. Não há nenhum representante — nem observador, nem alguém tomando notas sobre o que está acontecendo em Belém”, afirmou.
O governador também criticou o cenário político interno dos Estados Unidos e a postura de setores conservadores.
“Estamos vivendo uma guerra ideológica no nível federal. E somos tão burros quanto quisermos ser. Estamos dobrando a aposta na estupidez nos EUA — mas não no meu estado”, ironizou.
Perfil: quem é Gavin Newsom
Newsom foi prefeito de São Francisco entre 2004 e 2011, e cumpriu dois mandatos como vice-governador da Califórnia antes de ser eleito governador em 2018, com mais de 60% dos votos sobre o republicano John H. Cox.
Durante a pandemia de Covid-19, o democrata enfrentou duras críticas por conta das medidas restritivas adotadas no estado, o que levou a uma tentativa de recall — votação que poderia destituí-lo do cargo antes do fim do mandato. O movimento, porém, foi rejeitado pela maioria dos eleitores.
Em 2022, ele foi reeleito com desempenho semelhante e segue no cargo até 2026, sem possibilidade de nova reeleição. Segundo a Associated Press, Newsom deve disputar a presidência dos Estados Unidos em 2028 pelo Partido Democrata.
Entre suas bandeiras, estão a defesa do direito ao aborto, o controle de armas e a regulamentação do casamento entre pessoas do mesmo sexo — tema que ele levou ao debate nacional ainda quando era prefeito.
Confronto com Trump
As críticas à gestão de Donald Trump tornaram Newsom uma figura cada vez mais conhecida no cenário político norte-americano. A relação entre os dois se deteriorou ainda mais depois que o governo federal assumiu o controle da Guarda Nacional da Califórnia em junho e enviou tropas a Los Angeles para conter protestos contra políticas anti-imigração.
O embate escalou quando Trump afirmou, em entrevista, que apoiaria a prisão do governador. A declaração veio após Newsom discutir publicamente com o então “czar” de fronteira da Casa Branca, Tom Homan, que havia dito que qualquer pessoa que interferisse em prisões de imigrantes ilegais poderia ser detida.
“Ele pode vir atrás de mim e acabar logo com isso”, respondeu Newsom na ocasião, chamando Homan de “valentão”.
Em resposta, Trump disse à Fox News:
“Eu faria isso se fosse o Tom. Gavin gosta de publicidade, mas fez um trabalho terrível.”
Mesmo após a redução das tensões em Los Angeles, o governador continuou a criticar o ex-presidente. Em tom de ironia, após Trump afirmar que ele “se radicalizou à esquerda”, Newsom publicou nas redes sociais uma pergunta feita ao ChatGPT:
“Pessoas com demência repetem mentiras várias vezes?”
*Com informações do Estadão Conteúdo.
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