
Rescaldo do ataque de Israel ao Hamas no Catar
REUTERS/Amir Cohen
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, criticou Israel pelo “bombardeio unilateral dentro do Catar, uma nação soberana e aliada dos Estados Unidos que está trabalhando duro, corajosamente e assumindo riscos para negociar a paz”. Ela acrescentou: “Isso não avança os objetivos de Israel ou dos EUA”.
Espanto entre repórteres: a mídia israelense já tinha divulgado que Donald Trump havia dado sua bênção ao ataque de Israel à residência do Hamas em Doha. Havia dado ou não? Havia: a própria Leavitt, contradizendo-se, explicou que militares estadunidenses alertaram em tempo o presidente Trump, que direcionou o seu enviado a missões de paz, Steve Witkoff, a avisar o Catar de “um ataque iminente”.
Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed al-Ansari, disse que o aviso de “um ataque iminente” foi recebido quando já se ouviam explosões em Doha. O Emir Tamim bin Hamad confirmou ter falado ao telefone com o presidente Trump. Aí, uma dúvida: se não sabia do ataque, como o Catar, com sofisticada defesa aérea, permitiu que 10 aviões israelenses penetrassem seu espaço aéreo, despejassem dez bombas sobre a “residência” do Hamas em Doha, e voassem de volta, impunemente, para suas bases em Israel.
Trump e Netanyahu também falaram ao telefone, pós-ataque. Em seu primeiro comunicado, Israel pareceu deixar os EUA de fora de sua operação batizada de Cúpula de Fogo: “Israel iniciou, Israel conduziu e Israel assume total responsabilidade”, informou o gabinete do primeiro-ministro, em Jerusalém.
Os Estados Unidos, com a maior base aérea do Oriente Médio no Catar, não moveram um avião para barrar o ataque israelense. A porta-voz Leavitt, mesmo embaralhando a questão sobre se sabia antes ou não da Cúpula de Fogo, antes denominada Dia do Juízo Final, acrescentou que Trump julgou que destruir a cúpula do Hamas era um objetivo “digno”.
Israel está confiante de que matou a liderança política e militar palestina reunida em Doha para examinar o plano de paz de Trump. Mas, até tarde da noite no Oriente Médio, hoje, não houve confirmação de fontes independentes. O Hamas divulgou que entre os cinco mortos confirmados não há nenhum de seus membros seniores. Mas também nenhum dos alvos de Israel apareceu vivo para um desmentido. O Hamas tem a tradição de só confirmar a morte de seus líderes passado algum tempo.
Os alvos de Israel, que não se sabe ainda se estão mortos: o líder das unidades do Hamas em Gaza, Khalil al-Hayya; Zaher Jabarin, comandante do Hamas na Cisjordânia; Muhammad Darwish, chefe do Conselho Shura do Hamas; Nizar Awadallah, e Khaled Mashaal, chefe do Hamas no exterior.
As negociações de paz foram uma das vítimas da Cúpula de Fogo. O Catar não vai participar mais como mediador. Só Netanyahu acha que agora “a porta está aberta para o imediato fim da guerra”. Com ferimentos graves ficou a normalização de Israel com países árabes, no contexto dos Acordos de Abraão, iniciados no primeiro mandato de Trump pelo seu genro, Jarred Kushner.
Fique bem informado!
Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail
Escolha quais newsletters quer receber


