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Rússia declara cessar-fogo unilateral e diz esperar o mesmo da Ucrânia

Medida visa preservar celebração do Dia da Vitória, que marcou o fim da Segunda Guerra

Da redação
DA REDAÇÃO

04/05/2026 • 18:29 • Atualizado em 04/05/2026 • 18:29

Ucrânia

Ucrânia

REUTERS/Alexander Ermochenko

O Ministério da Defesa da Rússia anunciou um cessar-fogo unilateral na Ucrânia para sexta-feira (8) e sábado (9), em comemoração ao 81º aniversário da derrota da Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial. A pasta também ameaçou retaliar Kiev caso a Ucrânia tente interromper as festividades do Dia da Vitória.

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Em comunicado divulgado nesta segunda-feira (4) o Ministério da Defesa afirmou esperar que a Ucrânia "siga o exemplo" em relação ao cessar-fogo para o feriado secular mais importante da Rússia. Não houve comentários imediatos das autoridades ucranianas.

Na semana passada, as autoridades decidiram suspender o tradicional desfile militar na Praça Vermelha, em Moscou, alegando preocupações com possíveis ataques ucranianos. A Ucrânia vem realizando ataques com drones em território russo para conter a invasão que já dura mais de quatro anos.

O Ministério da Defesa afirmou que, se a Ucrânia tentar interromper as comemorações de sábado (9), a Rússia realizará um "ataque maciço com mísseis contra o centro de Kiev". O ministério alertou a população civil e os funcionários de missões diplomáticas estrangeiras sobre "a necessidade de deixar a cidade imediatamente".

Durante anos, o governo russo usou o desfile pomposo do Dia da Vitória para exibir seu poderio militar e influência global, sendo também uma fonte de orgulho patriótico.

Mas o desfile na capital russa acontecerá sem tanques, mísseis e outros equipamentos militares pela primeira vez em quase duas décadas. Alguns dos desfiles menores realizados em outras partes do país também foram isolados por muros ou até mesmo cancelados por motivos de segurança.

A Segunda Guerra Mundial permanece um raro ponto de consenso na história conturbada da Rússia sob o regime comunista. A União Soviética perdeu 27 milhões de pessoas no que chamou de Grande Guerra Patriótica, entre 1941 e 1945, um enorme sacrifício que deixou uma profunda cicatriz na psique nacional.

Vladimir Putin, que governa a Rússia há mais de 25 anos, transformou o Dia da Vitória em um pilar fundamental de seu mandato e tentou usá-lo para justificar a guerra na Ucrânia.

O desfile do ano passado, em comemoração ao 80º aniversário, atraiu para a Moscou o maior número de líderes mundiais em uma década, incluindo convidados de alto nível como o presidente chinês, Xi Jinping; o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva; e o primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico.

Putin havia declarado um cessar-fogo unilateral de 72 horas a partir de 7 de maio de 2025, e as autoridades bloquearam a internet móvel em Moscou por vários dias para evitar ataques de drones ucranianos.

O Dia da Vitória é um raro evento histórico reverenciado por todos os atores políticos russos no período pós-soviético. Desde 2023, a Ucrânia se afastou da tradição russa e passou a celebrar a vitória de 1945 em 8 de maio, assim como os países ocidentais.

Com Estadão Conteúdo