O Sistema Único de Saúde (SUS) deu início a um estudo para avaliar a viabilidade e os impactos da inclusão da semaglutida --princípio ativo de medicamentos conhecidos como "canetas emagrecedoras"-- no tratamento de pacientes da rede pública. O projeto piloto, que começou há um mês em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, foca inicialmente pacientes que aguardam na fila para a realização de cirurgia bariátrica.
Um dos primeiros participantes do estudo na capital gaúcha é Guilherme, de 39 anos, que relata uma mudança significativa em sua rotina alimentar após o início do tratamento. Segundo o paciente, o medicamento proporcionou um aumento na sensação de saciedade e a consequente redução do peso, diminuindo a ansiedade por comida e pensamentos constantes sobre alimentação.
Para a endocrinologista Kátia Souto, a aplicação da semaglutida no SUS vai além da perda de peso, representando um ganho direto na qualidade de vida. A médica destaca que o tratamento pode permitir que pacientes, muitas vezes afastados por invalidez e dependentes de benefícios do INSS, recuperem a capacidade de trabalhar, o que geraria uma economia para os cofres públicos ao baixar os custos indiretos da obesidade.
Expansão e perspectivas de mercado
Embora o SUS ainda não ofereça o medicamento de forma regular, a pesquisa acompanha 250 pacientes e busca responder se o tratamento é sustentável na rede pública. O projeto está em fase de expansão: a fabricante do fármaco, Novo Nordisk, firmou acordos para iniciar estudos em um hospital no Rio de Janeiro e analisa a viabilidade de uma terceira unidade no país.
A expectativa dos especialistas é que, em um prazo de dois anos --período de duração do estudo--, o custo dessas medicações sofra uma redução significativa. Esse movimento deve ser impulsionado pela chegada de novos análogos ainda mais potentes ao mercado.
A urgência por novas alternativas terapêuticas é reforçada por dados alarmantes do Ministério da Saúde. Entre 2006 e 2024, os índices de obesidade no Brasil cresceram 118%. Esse avanço foi acompanhado pelo aumento de doenças crônicas diretamente relacionadas ao excesso de peso, como a hipertensão e a diabetes, pressionando ainda mais o sistema público de saúde.
Fique bem informado!
Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail
Escolha quais newsletters quer receber

