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Terceira Guerra Mundial colocaria em risco a sobrevivência da humanidade

Buscas pelo termo disparam 1.700% no Brasil após escalada entre EUA, Israel e Irã; especialista explica por que guerras hoje passam por tecnologia, informação e ciberataques

Babi Fava
BABI FAVA

06/03/2026 • 11:07 • Atualizado em 06/03/2026 • 11:07

Trump durante envento no Texas

Trump durante envento no Texas

Elizabeth Frantz/Reuters

Nas últimas semanas, o brasileiro passou a especular, na própria tela do celular, a possibilidade de uma “Terceira Guerra Mundial”. O clima de tensão que domina as manchetes internacionais também se transformou em um fenômeno de busca no Brasil.

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Dados da Sala Digital, com base no Google Trends, mostram que o interesse pelo termo “Terceira Guerra Mundial” saltou 1.700% no país na última semana. Trata-se de um reflexo direto da ansiedade provocada pela escalada de tensões no Oriente Médio.

O gatilho foi a sequência de ataques que elevou o nível do confronto entre Estados Unidos, Israel e Irã, ampliando o temor de que o conflito possa ganhar proporções maiores. Mas, para além do medo que se espalha nas redes e nas buscas, os dados ajudam a revelar algo mais profundo: como o mundo — e o brasileiro — está interpretando esse risco agora.

Terceira Guerra vai acontecer?

Diferente de outras crises, as dúvidas atuais demonstram uma preocupação com o impacto local. Entre as perguntas mais feitas pelos brasileiros no Google estão: “É verdade que vai ter a terceira guerra mundial?” e “Terceira Guerra vai acontecer?”.

Embora o interesse nacional seja alto, o Brasil ocupa apenas o 49º lugar no ranking global de buscas pelo tema. No topo da lista de “preocupados” estão nações como Reino Unido, Irlanda, Nova Zelândia e Austrália. O fato de países considerados entre os mais seguros do mundo, como a Nova Zelândia, liderarem as pesquisas sugere que o medo atual não é apenas de bombardeios físicos, mas de uma desestabilização sistêmica da ordem global.

“Muito pouco provável”

Para entender se o pânico digital faz sentido na realidade geopolítica, a professora de Relações Internacionais, Priscila Caneparo, traz uma análise que desconstrói a imagem clássica de conflitos mundiais. Segundo a especialista, um confronto nos moldes da Primeira ou Segunda Guerra Mundial é "muito pouco provável".

A razão principal é o efeito dissuasivo das armas nucleares. "Dada a capacidade nuclear de bombas, a gente não teria esse transcorrer das etapas da guerra e colocaria em risco inclusive a sobrevivência da humanidade", explica a professora. Os grandes líderes mundiais estão cientes de que uma guerra total poderia significar o fim da civilização, o que freia a implosão de um conflito de aniquilação mútua.

Se as trincheiras e invasões terrestres massivas parecem distantes — até porque uma invasão ao Irã exigiria meses de logística e centenas de milhares de soldados que não estão mobilizados hoje — a guerra tecnológica já é uma realidade.

“A guerra, nesse desenrolar de tecnologia, pode acontecer de outras formas, como uma guerra tecnológica, como uma guerra de informação e uma guerra também de intromissão em determinados governos”, explica a especialista. Para ela, o avanço de forças antagônicas entre Oriente e Ocidente gera repercussões graves que atingem a população muito antes de qualquer invasão terrestre.

No campo da guerra tecnológica, o exemplo mais recente é o uso de sistemas autônomos que sobrecarregam as defesas inimigas. “Vemos o uso de inovações como a força-tarefa Scorpion Strike, que estreou enxames de centenas de drones controlados por Inteligência Artificial no Irã”, aponta Caneparo. Esses drones, como o modelo Lucas, funcionam como iscas para revelar radares e são coordenados por sistemas de IA capazes de analisar documentos secretos e simular campos de batalha em tempo real, agindo com uma velocidade impossível para o controle humano tradicional.

Por fim, a intromissão governamental utiliza o espaço cibernético como arma de desgaste político. “O objetivo é enfraquecer regimes por dentro, atacando infraestruturas que mantêm o país funcionando, como redes elétricas e sistemas de comunicação”, detalha a especialista. Essa tática foi vista no recente apagão total que atingiu o Iraque e em ataques de hackers a sites governamentais e sistemas de defesa, como os servidores do Domo de Ferro, visando paralisar o processo de decisão dos governantes e incentivar levantes populares.

Analistas reforçam que o que vemos hoje é uma guerra regional com impacto global. O fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial, e os ataques a infraestruturas de energia no Golfo mostram que o conflito atinge o bolso do cidadão comum muito antes de qualquer bomba cair em solo distante.

As buscas no Google mostram que a "Terceira Guerra" já começou no imaginário e nas telas, mas a realidade é mais complexa do que os filmes de Hollywood sugerem. Enquanto os sistemas de defesa de Israel e dos EUA lidam com mísseis reais, a população global lida com os estilhaços de uma guerra de informação que desliga redes elétricas e inflaciona o custo de vida.

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