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Um dia com 100 palestinos mortos, outro dia sem trégua para Gaza

O presidente Donald Trump promete que Israel não reiniciará a guerra ao final dos 60 dias de trégua, mas não tem aceitado incluir a promessa por escrito no acordo

Por Redação
REDAÇÃO

09/07/2025 • 19:41 • Atualizado em 09/07/2025 • 19:41

Moises Rabinovici
Faixa de Gaza

Faixa de Gaza

REUTERS/Ronen Zvulun

Cada novo dia de negociação para o cessar-fogo entre Hamas e Israel equivale a cerca de cem palestinos mortos em Gaza. Hoje foram 105, entre eles dez de uma mesma família, e 530 feridos, na retaliação à morte de oito soldados israelenses emboscados em Beit Hanoun.

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No local de um ataque aéreo, em meio a mortos, um jovem gritava diante da câmera da CNN: “O mundo não está vendo? Ninguém pode fazer nada?”.

Na Casa Branca, em Washington, onde a cúpula de negociadores americanos, catarianos e israelenses estão em maratona de encontros, o mantra diário foi repetido: “Só falta resolver um último e único impasse”.

Qual seria? O presidente Donald Trump promete que Israel não reiniciará a guerra ao final dos 60 dias de trégua, mas não tem aceitado incluir a promessa por escrito no acordo. O premiê Benjamin Netanyahu é contra: ele continua declarando que seu objetivo é acabar com o Hamas. Por isso, ele só aceita um cessar-fogo parcial, como o anterior, que ele violou quando era o momento de discutir a retirada de Israel de Gaza.

O impasse, na terça-feira, era o mapa das novas posições israelenses para quando a trégua entrar em vigor. Ao verem o mapa, tanto o mediador da Casa Branca, Steve Witkoff, quanto o enviado do Catar, comentaram com o ministro dos Assuntos Estratégicos de Israel, Ron Dermer: “Parece um mapa feito por Smotrich”, o ministro das Finanças ultranacionalista Bezalel Smotrich, favorável à colonização de Gaza, como na Cisjordânia. Outros mapas foram apresentados, e as negociações progrediram.

Pouco antes de partir de Jerusalém para Washington, sábado passado, o premiê Netanyahu criou um novo obstáculo, ao pedir a seu ministro da Defesa um plano para concentrar 600 mil palestinos numa “Cidade Humanitária” criada sobre as ruínas de Rafah. É o renascimento da ideia da Riviera do Oriente Médio, de que seu autor, o presidente Trump, não mencionava mais, tanta crítica recebeu do mundo árabe e de líderes aliados.

Netanyahu explicou à imprensa, em Washington, que o palestino da Cidade Humanitária teria medicamentos e comida. Poderia entrar, mas não sair – sair só se fosse para outro país que ele e Trump estão tentando alistar para o plano. O subsecretário de Estado do Reino Unido, Hamish Falconer, ficou “horrorizado” com a proposta. O jornalista israelense Zvi Barel chamou-a de “campo de concentração”, lembrando os campos de concentração nazistas em que foram confinados os judeus na Segunda Guerra Mundial.

Não há mais reuniões agendadas entre Trump e Netanyahu, que está prevendo voltar para Israel nesta quinta-feira, embora possa esticar até depois do shabat, no sábado à noite. O chefe do Estado-Maior do Exército, general Eyal Zamir, justificou a ofensiva em Gaza, onde soldados israelenses também estão morrendo, como forma de pressionar o Hamas a um acordo para libertar os reféns vivos e mortos em troca de prisioneiros palestinos.

O presidente de Israel, Isaac Herzog, comentou que será “um sério erro estratégico” deixar passar a oportunidade que se apresenta para um acordo. A “vitória total” que tanto quer o premiê Netanyahu só virá quando “o país souber como transformar uma vitória militar em uma vitória política.”

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