Jair Bolsonaro (PL) realizou na tarde desta terça-feira (10) um longo depoimento no Supremo Tribunal Federal (STF) a respeito do processo no qual é acusado de ter planejado um golpe de Estado no Brasil.
O ex-presidente negou que tenha tentado alguma medida antidemocrática, criticou as urnas eletrônicas e ainda pediu desculpas ao ministro Alexandre de Moraes, que conduziu o interrogatório.
Confira abaixo os principais pontos do depoimento de Bolsonaro:
Ataque às urnas
O ex-presidente abriu sua fala reiterando as críticas que fez no passado ao processo eleitoral brasileiro. Sem apresentar provas, ele falou de falhas nas urnas e ainda citou a Venezuela como um exemplo a ser seguido.
Pedido de desculpas a Moraes
Em outro momento, Alexandre de Moraes questionou Bolsonaro sobre um vídeo de uma reunião ministerial no qual o político afirmou que ele e os ministros Edson Fachin e Luís Roberto Barroso estariam recebendo "U$S 50 milhões, U$S 30 milhões" pelas eleições.
Bolsonaro então pediu desculpas e disse não ter provas da acusação.
Recusa em passar a faixa
O ex-presidente disse ainda que não quis passar a faixa presidencial para Lula por medo de se submeter "à maior vaia na história eleitoral do Brasil".
Ele também disse que não havia mais o que fazer após a vitória de Lula. "O sentimento era de que não teria mais o que fazer, se tivesse que ser feito, seria lá atrás com o Congresso Nacional. Então tínhamos que 'entubar' o resultado das eleições", afirmou.
Piada com Alexandre de Mores
Em uma tentativa de descontrair o ambiente, o ex-presidente brincou que gostaria de convidar Alexandre de Moraes para ser seu candidato a vice em 2026, ao que o ministro do STF respondeu: “Declino”.
“Malucos” da intervenção militar
Bolsonaro ainda chamou apoiadores que pediram intervenção militar, como aqueles que acamparam nas portas de quartéis, de “malucos”. “Isso não existe”, disse o ex-presidente sobre a ideia de intervenção.
“Golpe é abominável”
O ex-presidente ainda admitiu que buscou sim adotar medidas após perder as eleições de 2022, como uma GLO (Garantia da Lei e da Ordem), mas refutou que tenha planejado um golpe. “Nunca fugi das quatro linhas da Constituição", disse, negando ainda que o 8 de janeiro tenha sido uma tentativa de golpe.
“Um vazio grande”
Ao responder sobre uma reunião com comandantes militares, Bolsonaro disse que conversou com oficiais após sua derrota nas eleições de 2022 por sentir um “vazio que você não imagina”.
Ameaça de prisão
O ex-presidente ainda negou a afirmação feita pelo brigadeiro Baptista Junior, ex-comandante de Aeronáutica, que o ex-comandante do Exército, Freire Gomes, teria ameaçado dar voz de prisão a Bolsonaro caso ele insistisse em levar adiante um plano golpista.
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