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Vídeo nenhum é pior para Flávio Bolsonaro do que caso Vorcaro, diz Oinegue

Por Redação
REDAÇÃO

25/06/2026 • 22:01 • Atualizado em 25/06/2026 • 22:43

Eduardo Oinegue

Sabem qual é a chance do vídeo com Lamúrias, feito por Michele Bolsonaro, produzir um estrago na campanha de Flávio Bolsonaro? Zero. Vamos aos fatos. Essa sapatada, porque foi uma sapatada dada por Michele, atinge Flávio em meio a uma crise que é muito mais séria, que é a crise de credibilidade que foi aberta pela relação dele com Daniel Vorcaro.

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Uma relação que ele dizia que não existia, que acabou revelada como um vínculo de 24 milhões de dólares. Tem áudios de Flávio pedindo dinheiro ao dono do Master, encontros que ele tinha negado e depois precisou admitir. Tem transferências no valor total de 11 milhões de dólares para os Estados Unidos, assinadas a uma empresa aberta por um advogado ligado a Eduardo Bolsonaro. Essa história é ruim, ruim pelo que contém, ruim pelo que não contém, porque até agora ninguém viu a proposta comercial enviada ao Master, nem o contrato que, segundo Flávio, formalizou o financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro.

Quando você chama um encanador, você recebe uma proposta. Para matricular um filho na escola, assina um contrato. Se toda essa documentação existe, é só apresentar. Flávio diz que existe. Se existe mesmo, o desgaste vai ficar concentrado na escolha de um financiador bichado, para dizer o mínimo, e nas mentiras contadas para esconder a relação. Mesmo com tudo isso, Flávio perdeu poucos pontos e continua muito à frente dos outros candidatos.

Se um caso dessa dimensão não derrubou Flávio, alguém acredita que ele vai derreter por causa do vídeo de Michele? Compare, compare os dois episódios. Michele diz que foi humilhada, maltratada, que Flávio foi ríspido, disse que ela não entendia de política, que deveria ficar fora das negociações lá do Ceará, relata uma conversa telefônica ocorrida há sete meses e um acordo político descumprido.

Não acusa Flávio de crime, não apresenta provas da versão dela. Por mais que Michele leia um texto muito bem montado, dizendo que se sente vítima de uma articulação dos filhos de Jair Bolsonaro, por mais que seja, porque é atacada pelo menino maluquinho que fica lá nos Estados Unidos, por mais que essa família adore andar com uma caixa de fósforo no bolso, nada disso tem o peso do caso Vorcaro. O episódio é ruim? Claro que é ruim. Seria muito melhor pra ele se a família se apresentasse unida? Se parecesse uma família de comercial de margarina?

Só que em vez disso, Michele escancarou um problema que é conhecido, os Bolsonaro não conseguem resolver os conflitos que eles têm sem criar um espetáculo público. Mas a eleição não vai ser decidida por Tititi. O Flávio vai ter que convencer o eleitor de que ele tem propostas pro Brasil e vai ter que explicar as denúncias que pesam contra ele, começando pelo dinheiro do Master. Aí se ele superar essa pedreira, não vai ser essa briga familiar que vai derrubá-lo.

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