Ajuda com jato e mal-estar com Casa Branca: os bastidores de Flávio nos EUA
No país desde quarta-feira, paradeiro do parlamentar brasileiro permanece desconhecido
Enquanto o paradeiro de Flávio Bolsonaro (PL) permanece reservado, novas informações sobre a ida do parlamentar para os Estados Unidos, contrariando decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), apontam que o governo de Donald Trump auxiliou o senador e sua família na viagem.
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Segundo o jornal norte-americano The New York Times, um assessor da Casa Branca foi responsável pela contratação do jato particular que levou Flávio da Argentina para os EUA, na quarta-feira (28). Jason Miller teria sido procurado por Eduardo Bolsonaro na segunda-feira (26), logo após o senador receber a ordem de entrega de seus passaportes.
Embora a Casa Branca não tenha confirmado oficialmente as informações, dados do Serviço de Imigração indicam que a família ingressou nos EUA com um visto humanitário temporário, concedido na chegada e válido por um ano. Fontes governamentais ouvidas pelo jornal norte-americano indicam que o parlamentar deve solicitar em breve o green card para residência permanente no país.
Desde que desembarcou no aeroporto executivo de Opa-locka, na Flórida, e deixou o local em um veículo da Guarda de Fronteira, o paradeiro exato de Flávio permanece desconhecido. Suas únicas aparições públicas limitaram-se a fotografias divulgadas pelo por seu irmão Eduardo Bolsonaro —que obteve o green card em julho— e por Alexandre Ramagem, ex-diretor da ABIN, que solicitou asilo político após o vencimento de seu visto americano.
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Exigência da Casa Branca e críticas
A atuação de Flávio em solo americano já gerou atritos diplomáticos. A carta divulgada pelo senador na quarta-feira, na qual se apresentava como líder do país, foi mal recebida pelo governo dos EUA. Representantes da Casa Branca exigiram que alteração para evitar a ideia de que se tratava de uma tentativa de invalidar o resultado das eleições brasileiras.
Paralelamente, o jornal The Washington Post publicou um editorial intitulado "Quando juízes viram promotores", no qual abordou a crise institucional brasileira. O veículo apontou que o Judiciário acumulou poderes extraordinários e que magistrados frequentemente atuam de forma simultânea como investigadores e julgadores, citando o papel significativo desempenhado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Contudo, o editorial ressaltou que a eleição vencida por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi competitiva e defendeu que Flávio Bolsonaro deveria se preparar para liderar a oposição no Brasil, em vez de se instalar na Flórida, concluindo que uma democracia saudável exige que os derrotados aceitem o resultado com segurança jurídica.
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Donald Trump e reconhecimento internacional
Questionado sobre a eleição brasileira, o ex-presidente Donald Trump declarou que pretende conversar com Lula, mas fez duras críticas ao pleito, classificando a votação como "uma desgraça" e "um grande constrangimento para o povo brasileiro". Trump evitou declarar quem considera o vencedor e afirmou não ter tomado partido durante o processo a pedido do próprio presidente brasileiro.
Apesar das declarações de Trump, a reeleição de Lula já foi reconhecida por mais de cem líderes internacionais, cobrindo diversos espectros políticos. A lista de felicitações inclui oponentes ideológicos, como o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, que enviou uma carta colocando-se à disposição para fortalecer a cooperação entre as nações.
