Política
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"Autoconfiança assustou eleitores": Kassab aponta erros de Flávio na campanha

Presidente do PSD analisa derrota bolsonarista e diz que escolha do candidato favoreceu Lula

5 min

01/11/2026 12:10 • Atualizado há 1 hora

O presidente do PSD, Gilberto Kassab, afirmou que a "autoconfiança" demonstrada por Flávio Bolsonaro (PL) na campanha presidencial assustou parte do eleitorado e contribuiu para a derrota bolsonarista e a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As declarações foram dadas em entrevista ao programa Canal Livre, que vai ao ar neste domingo (1º).

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Segundo Kassab, o clima criado após a vantagem obtida no primeiro turno levou o candidato e seu grupo a se distanciar dos eleitores indecisos, ao antecipar como seria sua conduta na Presidência.

"Alguns falam em arrogância, outros em salto-alto. Eu não sei qual é o nome, mas na medida que ele foi soltando pílulas do que seria a sua conduta como presidente e numa autoconfiança muito grande, ele assustou (os eleitores)."

Ele cita como exemplo declarações sobre mudanças na Constituição e a forma como o irmão de Flávio se colocou como futuro ministro das Relações Exteriores, com críticas à diplomacia brasileira. "Ele falou que ia mudar a Constituição, errou. Ele podia falar o que ele ia mudar. Ele, evidentemente, não soube ser firme com o irmão (Eduardo Bolsonaro), quando não apenas disse que ia ser ministro das Relações Exteriores, mas exteriorizou as suas ideias, quando ele estigmatizou a nossa diplomacia, que é considerada uma das melhores do mundo e que já foi estigmatizada no governo Bolsonaro."

Para Kassab, o loteamento de cargos e a ida de partidos que estavam com Lula para o lado de Flávio reforçaram uma percepção negativa. "Com essas ações, com o loteamento de cargos, quando você tinha alguns partidos que estavam com o Lula, porque achavam que o Lula ia ganhar, e daí foram imediatamente para ele e ele aceitou. Ficou, sabe, uma impressão para o eleitor, e aí eu tenho vários depoimentos de analistas que convivem comigo no dia a dia da política, que viram que ele foi se desgastando, ele não foi aquele cara que era novo e queria promover as reformas."

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Contestação do resultado e "falta de senioridade"

Na visão de Kassab, a postura de contestar o resultado da eleição agravou o desgaste e expôs uma fragilidade da equipe mais próxima ao candidato.

"Faltou um pouco de senioridade aos seus companheiros, porque nesse momento de calor emocional, tem que ter alguém que segura o candidato, alguém que tenha ascendência sobre ele. Porque era tão óbvio que a manifestação dele era errada, porque a campanha transcorreu normalmente, não teve nada de errado, não tem nenhum motivo para questionar e se apresentar como um cara que não ia aceitar o resultado."

Kassab disse que haveria espaço para questionamentos jurídicos pontuais, mas não para a negativa em relação ao veredito das urnas. "O que ele podia falar, depois de cumprimentar o presidente eleito, é que o seu partido ia recorrer porque achava que a campanha do Lula abusou aqui, abusou ali, usou da máquina. É normal, isso é normal, mas agora ele não aceitar o resultado não é."

Kassab também lembra a primeira carta divulgada por Flávio após a votação, em que ele se autoprobclamou "presidente eleito" e que depois foi revista. "Aquela primeira carta é o que ele pensava ou deixou um assessor escrever e depois apanhou tanto que voltou atrás."

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Direita errou o candidato

Ao analisar a estratégia da direita na disputa, Kassab afirma que houve erro já na definição de quem seria o nome para enfrentar o atual presidente. "O Lula estava posto. Dos candidatos postos, era o que teria mais dificuldade, porque se tivesse um candidato mais ao centro, ele roubaria os votos do centro e ganharia a eleição no primeiro turno. Isso é óbvio e eu reafirmo hoje que eles erraram no candidato."

"Quando eleitores conheceram Flávio, não gostaram"

Para o presidente do PSD, a dinâmica do segundo turno evidenciou um problema adicional: a falta de conhecimento prévio do eleitorado sobre Flávio Bolsonaro. Segundo Kassab, o candidato do PL chegou ao segundo turno desconhecido de boa parte dos eleitores e teve que se apresentar em três semanas.

"Quando você chegou no segundo turno, aí apareceu o Flávio. O Flávio, possivelmente, não era conhecido por uma parte importante da população. Sabiam que tinha um candidato chamado Flávio, que era filho do presidente Bolsonaro, mas não conheciam. Então, é óbvio que o Lula perderia menos daqueles que estavam indecisos do que o Flávio, porque o Lula todo mundo conhece: quem estava com ele estava, quem não estava. Agora, o Flávio, é de se supor, e aí eu não tenho nenhuma pesquisa, posso ter errado, mas eu acho que não estou, que muitos daqueles que o conheceram não gostaram", disse.

Mérito de Lula ou desmérito de Flávio?

Quiestionado se foi Flávio que perdeu ou Lula que ganhou, Kassab afirma que a rejeição crescente ao filho do ex-presidente foi determinante para o resultado e acabou beneficiando diretamente o petista. "Ajudou muito a rejeição do Flávio, que aumentou, tanto é que as pesquisas mostram. E beneficiou o Lula. Não é desmérito. Os erros do Flávio ajudaram o Lula."

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Ele destaca que a campanha petista soube explorar esse movimento ao falar com os eleitores indecisos. "O Lula se valeu disso porque eles fizeram uma competente campanha de assustar o indeciso. Não foi uma campanha de ódio, foi uma campanha de elevar o temor, o medo. Aquelas manifestações na rua eram muito fortes, tanto a do Flávio quanto a do Lula. Nos últimos dias houve claramente uma espécie de ventania anti-bolsonarista. Sim, por quê? Porque eles foram expondo as suas ideias e foram assustando."

Canal Livre discute bastidores da eleição

A entrevista completa com Gilberto Kassab vai ao ar neste domingo (1º), às 20h, na BandNews TV, na BandNews FM e na Rádio Bandeirantes, e às 23h na Band. O Canal Livre também será exibido no YouTube de Band Jornalismo, em Band.com.br e no Bandplay. Participam do programa os jornalistas Fernando Mitre, Thays Freitas e Eduardo Oinegue. A apresentação é de Rodolfo Schneider.