Base governista avalia se afastar do STF para evitar desgaste
A revelação do teor das mensagens e do relatório da Polícia Federal (PF) - cujo sigilo foi retirado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal

A revelação do teor das mensagens e do relatório da Polícia Federal (PF) - cujo sigilo foi retirado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF) - provocou um terremoto político em Brasília nesta terça-feira (1). Enquanto a oposição intensifica a pressão por investigações e pelo impeachment do ministro Alexandre de Moraes, a base governista já avalia a necessidade de o Palácio do Planalto se afastar do caso para evitar desgastes de imagem e colaterais na administração federal.
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O material apreendido no celular do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, detalha trocas frequentes de mensagens com o magistrado e aponta tratativas financeiras, contratuais e até consultas sobre riscos de prisão. A repercussão do caso dominou os bastidores do Congresso Nacional e unificou diferentes correntes políticas em torno da crise entre os Poderes.
Reação da oposição e ofensiva no Congresso
Parlamentares de oposição na Câmara e no Senado cobraram respostas duras e o aprofundamento imediato das apurações, argumentando que o caso transcende uma crise interna da Suprema Corte.
Além de renovarem as cobranças pelo avanço de processos de impeachment contra Alexandre de Moraes - cujo total de pedidos protocolados no Senado chegou a 54 -, deputados e senadores da oposição também pediram o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e apresentaram uma queixa-crime contra o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
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A estratégia oposicionista incluiu ainda ameaças diretas ao rito legislativo: a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) liderou um movimento de obstrução total no Senado, anunciando que a base opositora não votará nenhuma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) ou projeto de lei até que o ministro renuncie ou que o Senado abra formalmente o processo de impeachment.
O cálculo político da base do governo
Diante da gravidade e da volatilidade do cenário, a ala governista adota cautela e discute nos bastidores uma estratégia de distanciamento institucional. A avaliação predominante entre parlamentares aliados ao Palácio do Planalto é de que o governo deve evitar qualquer tipo de defesa pública ou envolvimento na crise para blindar a gestão federal de danos colaterais decorrentes da exposição das autoridades citadas no relatório.
Nos corredores do Congresso, a tensão política coincide com uma semana de esforço concentrado antes de um período de recesso informal. Parlamentares alertam para o risco de escalada institucional, enquanto crescem nos bastidores as articulações para a eventual abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) com o objetivo de investigar a fundo as relações e os contratos revelados pelas apurações da PF.
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Troca de mensagens entre Vorcaro e Moraes
Uma troca de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, sugere que eles discutiam a possibilidade da Polícia Federal deflagrar uma operação que teria o banqueiro como alvo.
O conteúdo das mensagens foi revelado pelo jornal Estado de S. Paulo e confirmado pela reportagem da Band.
Conforme o relatório da Polícia Federal, tornado público pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master na Suprema Corte, eles trocaram mensagens em 15 de novembro de 2025, ou seja, dois dias antes de Vorcaro ser preso pela Polícia Federal.
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Em 17 de novembro do ano passado, Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal enquanto tentava embarcar para o exterior em seu jatinho particular no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.
“Que loucura, bem na semana que estou resolvendo tudo. Aquele mesmo juiz Ricardo? E o Galípolo tá sabendo? Conseguimos fazer algo? Acha que segunda já tenho que estar fora?”, diz o conteúdo das mensagens.
Bate-boca entre Moraes e Mendonça
O clima esquentou nos corredores do STF após André Mendonça derrubar sigilo da ação que mostra mensagens entre Vorcaro e Moraes. Os dois ministros protagonizaram uma discussão acalorada na chegada para a sessão da Corte, exigindo inclusive a intervenção da equipe de segurança.
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O atrito começou quando Moraes se aproximou de Mendonça no início da sessão para pedir uma conversa rápida. O magistrado parou para ouvi-lo, mas o diálogo evoluiu rapidamente para bate-boca, com ambos elevando o tom de voz e se exaltando diante dos presentes.
Diante da tensão e do risco de escalada na abordagem, os seguranças que atuam no local precisaram intervir prontamente para apartar a discussão entre os ministros. O episódio surpreendeu quem acompanhava a movimentação prévia da sessão desta terça-feira.
