Política

Bets: Flamengo estima perda de R$ 430 milhões e cobra segurança jurídica

Além do Flamengo, clubes como Fluminense, Cruzeiro e Botafogo defenderam as apostas online durante audiência pública no STF

4 min

03/11/2026 14:57 • Atualizado há 1 hora

Bets: Flamengo estima perda de R$ 430 milhões e cobra segurança jurídica

Vice-presidente do Flamengo, Flávio de Araújo Willeman

Rosinei Coutinho/STF

O vice-presidente do Flamengo, Flávio de Araújo Willeman, declarou nesta terça-feira (3) que o fim das apostas online, conhecidas como bets, pode provocar uma queda aproximada de R$ 430 milhões nas receitas anuais do clube, podendo comprometer 1,2 mil empregos.

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A declaração foi feita durante uma audiência pública convocada pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre a proibição das bets no Brasil.

“O Flamengo possui mais de 1.200 empregados que poderão ser comprometidos com a queda de aproximadamente 430 milhões de reais de receitas anuais com o futebol e com esportes olímpicos”, disse Flávio de Araújo Willeman.

Segundo o vice-presidente do Flamengo, o clube é o segundo maior fornecedor de atletas olímpicos como um clube multidesportivo do mundo, perdendo apenas para um clube da Rússia. “Certamente, à beira dos Jogos Olímpicos que se avizinham, isso será severamente impactado”.

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“Portanto, a primeira intervenção que o Flamengo traz a esta Corte e a todos que nos assistem é a necessidade de respeito à segurança jurídica daqueles que confiaram em uma legislação debatida no Congresso Nacional, aprovada no Congresso Nacional, regulamentada pelo governo federal”, pontuou.

“Mas é preciso que, de outro lado, que se pondere os riscos que essa medida provisória traz para a institucionalidade e para as atividades econômicas do Brasil. Mais de 90% dos países do mundo regulam os jogos (...). E o Brasil, com o respeito devido, não pode romper com os ideários de liberdade de iniciativa, liberdade econômica, a partir de uma medida provisória, que imponha aos clubes e associações o rompimento de seus contratos”, destacou Willeman.

Além do Flamengo, representantes de clubes como Fluminense, Botafogo e Cruzeiro também defenderam as apostas online durante a audiência pública realizada pela Suprema Corte.

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Fluminense

O presidente do Fluminense, Mattheus Montenegro, detalhou quais são os tipos de receitas de um clube de futebol e que a proibição das apostas pode impactar as finanças dos times.

"Os clubes de futebol têm basicamente cinco tipos de receita: venda de jogador, direitos de transmissão, patrocínios (incluindo placas), sócio-torcedor e bilheteria. Essa medida afeta duas dessas receitas de forma muito direta: o patrocínio, placas de campo e os direitos de transmissão. Afinal, as empresas que pagam os direitos aos clubes vendem cotas de publicidade que são adquiridas pelas bets hoje em dia. Portanto, isso acaba com as principais receitas do futebol", disse Montenegro.

“A única grande receita do futebol que não é afetada por isso é a venda de jogador. Sócio e a bilheteria estão relacionados ao desempenho do time, o desempenho do time vem de outras receitas. Então, mexer com essa medida provisória vai no coração de todos os clubes porque acaba com a sua principal fonte de sobrevivência”, acrescentou.

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Durante a declaração, o presidente do Fluminense fez uma comparação com uma família endividada.

“O drama de uma família endividada não pode ser maior do que o drama de uma família que vai ter que sofrer os efeitos do desemprego, que é o que vai acontecer na cadeia do futebol", concluiu.

Botafogo

O Botafogo foi representado por advogados na audiência pública. Para Bichara Abidão Neto, o clube entende que os efeitos da medida provisória devem ser “urgentemente suspensos”.

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“O Botafogo entende que os efeitos dessa medida provisória precisam ser urgentemente suspensos. Se Vossa Excelência entender por não suspender os efeitos integrais da Medida Provisória, que ao menos observe o calendário do futebol brasileiro e observe também a duração dos contratos já celebrados, para que seja possível fazer uma transição minimamente razoável para tentar readequar o prejuízo que essa MP vem causando aos clubes de futebol”, afirmou.

Cruzeiro

O advogado José Francisco Cimino Manssur, representante do Cruzeiro, afirmou que acredita que a saída e solução para os grandes problemas causados pelo vício em jogo está em regulamentar e fiscalizar, não em proibir.

“Acredito piamente que a saída e a solução para os graves problemas causados de vício em jogo e o grave problema de superendividamento está em regulamentar e fiscalizar, e não em proibir. No caso do Cruzeiro, um clube que fez um trabalho de recuperação excepcional nos últimos anos, o clube de patrocínio feito com a maior empresa de aposta do mundo era responsável por algo como quatro ou cinco folhas de pagamento dos funcionários”, destacou.