Caso Master: PF indicia 15, incluindo Vorcaro, por crimes financeiros
A Polícia Federal concluiu nesta quarta-feira (28) o relatório do primeiro inquérito da Operação Compliance Zero indiciando o ex-controlador do Banco Master,

@danielvorcarobr/ Reprodução/ Instagram
A Polícia Federal concluiu nesta quarta-feira (28) o relatório do primeiro inquérito da Operação Compliance Zero indiciando o ex-controlador do Banco Master, o banqueiro Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, por crimes financeiros. A defesa de Vorcaro emitiu uma nota considerando o indiciamento como "precipitado" e "infundado".
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A PF aponta que os prejuízos concretos reconhecidos são de R$ 2,7 bilhões, mas indica extensão potencial de danos irregulares igualmente bilionários (veja mais abaixo).
As acusações decorrem de investigações sobre repasses bilionários e irregularidades em injeções de capital entre as instituições, cujas penas somadas podem atingir 41 anos de prisão. A PF solicita mais 60 dias para prosseguir com as investigações, concluir exames periciais pendentes e apresentar um relatório complementar.
O documento foi submetido ao Supremo Tribunal Federal (STF) e diz respeito a apurações da primeira até a quarta fase da Operação Compliance Zero.
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O que diz relatório parcial da PF
O relatório parcial da PF, de 703 páginas, aponta a existência de uma sofisticada fraude financeira envolvendo a venda bilionária de carteiras de crédito inexistentes pelo Banco Master ao Banco de Brasília.
No entendimento da instituição, a operação foi realizada com graves violações de governança e controles regulatórios. A investigação detalha que o esquema tinha uma dinâmica de retroalimentação financeira, combinando aumentos privados de capital, alienação de ativos problemáticos e cessões sucessivas de direitos creditórios para sustentar artificialmente a liquidez da instituição privada.
Quais são os crimes apontados pela Polícia Federal
- Suspeita de organização criminosa
- Lavagem de dinheiro
- Gestão fraudulenta de instituição financeira
- Falsidade contábil
- Indução a erro de entidade pública ou sociedade de economia mista (participação específica apurada para cada indivíduo).
Quem são os 15 primeiros indiciados da PF
- Daniel Bueno Vorcaro: banqueiro e fundador do Banco Master
- Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa: ex-presidente do BRB
- Augusto Ferreira Lima: ex-sócio de Daniel Vorcaro e controlador do Banco Pleno
- Angelo Antônio Ribeiro da Silva: ex-sócio do Banco Master
- Luiz Antonio Bull: ex-diretor do Banco Master
- Alberto Félix de Oliveira Neto: ex-diretor do Banco Master
- Allan da Silva Machado: estava inserido na operação das carteiras de crédito
- Henrique Souza e Silva Peretto: ligado à empresa Tirreno
- André Felipe de Oliveira Seixas Maia: ligado à empresa Tirreno
- Daniel Lopes Monteiro: advogado apontado como parte da estruturação jurídica
- Dario Oswaldo Garcia Junior: ex-diretor financeiro do BRB
- Luana de Andrade Ribeiro: dirigente do BRB
- Cristiane Maria Lima Bukowitz: dirigente do BRB
- Diogo Ilário de Araújo Oliveira: dirigente do BRB
- José Maria Correa Dias Junior: dirigente do BRB
Prejuízo bilionário estimado pela PF
A Polícia estima que as perdas concretas giram em torno de R$ 2,7 bilhões em ativos insubsistentes e com vícios organizacionais. O relatório mapeia ainda valores bilionários de extensão potencial de danos e irregularidades:
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- R$ 13,37 bilhões: Valor em carteiras de crédito ligadas à empresa Tirreno
- R$ 2,9 bilhões: Valor em ativos inconsistentes sem qualquer tipo de substituição válida
- R$ 3,5 bilhões: Valor em operações classificadas pelas investigações internas como "revolvência"
- R$ 3,6 bilhões: Valor estimado envolvido em operações investigadas entre a RioPrevidência e o Banco Master
- R$ 17,50 bilhões: Volume acumulado em aquisições de carteiras de crédito da contraparte aprovadas pela Diretoria Colegiada (DICOL) do BRB
Defesa de Daniel Vorcaro repudiou indiciamento
Minutos após a divulgação do relatório, a defesa do banqueiro Daniel Vorcaro emitiu uma nota de repúdio por considerar o indiciamento prematuro e sem comprovação técnica de prejuízos. A equipe jurídica argumenta que as operações foram respaldadas por instâncias colegiadas e carecem de exames periciais conclusivos.
Os representantes legais de Vorcaro exigem o arquivamento do inquérito e a revogação imediata da prisão preventiva. O banqueiro está preso na Papudinha, em Brasília, desde 4 de maio deste ano.
