Política

Caso Master: PF indicia 15, incluindo Vorcaro, por crimes financeiros

A Polícia Federal concluiu nesta quarta-feira (28) o relatório do primeiro inquérito da Operação Compliance Zero indiciando o ex-controlador do Banco Master,

3 min

28/10/2026 17:38 • Atualizado há 20 min

Caso Master: PF indicia 15, incluindo Vorcaro, por crimes financeiros

@danielvorcarobr/ Reprodução/ Instagram

A Polícia Federal concluiu nesta quarta-feira (28) o relatório do primeiro inquérito da Operação Compliance Zero indiciando o ex-controlador do Banco Master, o banqueiro Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, por crimes financeiros. A defesa de Vorcaro emitiu uma nota considerando o indiciamento como "precipitado" e "infundado".

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A PF aponta que os prejuízos concretos reconhecidos são de R$ 2,7 bilhões, mas indica extensão potencial de danos irregulares igualmente bilionários (veja mais abaixo).

As acusações decorrem de investigações sobre repasses bilionários e irregularidades em injeções de capital entre as instituições, cujas penas somadas podem atingir 41 anos de prisão. A PF solicita mais 60 dias para prosseguir com as investigações, concluir exames periciais pendentes e apresentar um relatório complementar.

O documento foi submetido ao Supremo Tribunal Federal (STF) e diz respeito a apurações da primeira até a quarta fase da Operação Compliance Zero.

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O que diz relatório parcial da PF

O relatório parcial da PF, de 703 páginas, aponta a existência de uma sofisticada fraude financeira envolvendo a venda bilionária de carteiras de crédito inexistentes pelo Banco Master ao Banco de Brasília.

No entendimento da instituição, a operação foi realizada com graves violações de governança e controles regulatórios. A investigação detalha que o esquema tinha uma dinâmica de retroalimentação financeira, combinando aumentos privados de capital, alienação de ativos problemáticos e cessões sucessivas de direitos creditórios para sustentar artificialmente a liquidez da instituição privada.

Quais são os crimes apontados pela Polícia Federal

  • Suspeita de organização criminosa
  • Lavagem de dinheiro
  • Gestão fraudulenta de instituição financeira
  • Falsidade contábil
  • Indução a erro de entidade pública ou sociedade de economia mista (participação específica apurada para cada indivíduo).

Quem são os 15 primeiros indiciados da PF

  • Daniel Bueno Vorcaro: banqueiro e fundador do Banco Master
  • Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa: ex-presidente do BRB
  • Augusto Ferreira Lima: ex-sócio de Daniel Vorcaro e controlador do Banco Pleno
  • Angelo Antônio Ribeiro da Silva: ex-sócio do Banco Master
  • Luiz Antonio Bull: ex-diretor do Banco Master
  • Alberto Félix de Oliveira Neto: ex-diretor do Banco Master
  • Allan da Silva Machado: estava inserido na operação das carteiras de crédito
  • Henrique Souza e Silva Peretto: ligado à empresa Tirreno
  • André Felipe de Oliveira Seixas Maia: ligado à empresa Tirreno
  • Daniel Lopes Monteiro: advogado apontado como parte da estruturação jurídica
  • Dario Oswaldo Garcia Junior: ex-diretor financeiro do BRB
  • Luana de Andrade Ribeiro: dirigente do BRB
  • Cristiane Maria Lima Bukowitz: dirigente do BRB
  • Diogo Ilário de Araújo Oliveira: dirigente do BRB
  • José Maria Correa Dias Junior: dirigente do BRB

Prejuízo bilionário estimado pela PF

A Polícia estima que as perdas concretas giram em torno de R$ 2,7 bilhões em ativos insubsistentes e com vícios organizacionais. O relatório mapeia ainda valores bilionários de extensão potencial de danos e irregularidades:

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  • R$ 13,37 bilhões: Valor em carteiras de crédito ligadas à empresa Tirreno
  • R$ 2,9 bilhões: Valor em ativos inconsistentes sem qualquer tipo de substituição válida
  • R$ 3,5 bilhões: Valor em operações classificadas pelas investigações internas como "revolvência"
  • R$ 3,6 bilhões: Valor estimado envolvido em operações investigadas entre a RioPrevidência e o Banco Master
  • R$ 17,50 bilhões: Volume acumulado em aquisições de carteiras de crédito da contraparte aprovadas pela Diretoria Colegiada (DICOL) do BRB

Defesa de Daniel Vorcaro repudiou indiciamento

Minutos após a divulgação do relatório, a defesa do banqueiro Daniel Vorcaro emitiu uma nota de repúdio por considerar o indiciamento prematuro e sem comprovação técnica de prejuízos. A equipe jurídica argumenta que as operações foram respaldadas por instâncias colegiadas e carecem de exames periciais conclusivos.

Os representantes legais de Vorcaro exigem o arquivamento do inquérito e a revogação imediata da prisão preventiva. O banqueiro está preso na Papudinha, em Brasília, desde 4 de maio deste ano.